sábado, 2 de outubro de 2021

Sonho de Imersão

 

Photo by @HolBolDoTweet

Estávamos buscando alguma coisa ou alguém. Ela, Mayra, estava se sentindo desesperada. A angústia começou a tomar conta quando o sinal tocou. As pessoas estavam saindo das salas e indo embora. Mayra e eu sabíamos que ninguém viria nos buscar. Ninguém se importava conosco. Mayra começou a chorar silenciosamente. Tomei-a no braço como chegada pós casamento. Ela era franzina e pequena. Saímos da escola aos prantos, mas ninguém nos dizia nada, ninguém perguntava nada. Os grandes portões de ferro ocultavam o grande sol lá fora, a rua estava cheia de vida, comércio, lojas e pessoas, indo e vindo. Foi assim que comecei a caminhar e perceber que todos se conheciam.

Mayra finalmente se decompôs e fiquei segurando meu coração. Chorei. Chorei não só por estar sozinho verdadeiramente, chorei porque eu sabia que Mayra era eu mesma. Sozinha na infância, sozinha na vida adulta, seguindo o caminho que tem que ser seguido. Mayra me deixou saudade de uma risada boba com ingenuidade.

Depois de tanto chorar abri o olhos e respirei fundo. Parecia que acordava de um sonho pesado. Senti leveza e conforto. Estava na sombra de uma árvore, uma grande árvore, ela posada na beira de um precipício. Bem, sabemos o que acontece quando eu encontro um desses, mesmo que em sonho. A sensação de ter chorado tanto e já não estava tão cheio assim, me deixou observando a grande família que subia na árvore para gravar um vídeo. Eles deveria ser uns quarenta ou cinquenta, o chefe bem declarado era um sessentão com aspectos padronizados, óculos da moda, sorriso de quem venceu na vida. A família toda parecia ter sido saída dele, inclusive as mulheres. Todos brancos, cabelos pretos, olhos claros, ar de gente rica. O chão da árvore era grama seca, tudo amarelinho, a árvore também não era tão verde assim. Com suas folhas largas e grosso tronco, parecia que todo mundo atravessava o inverno.

A família ria e se tocavam com carinho. Abraçavam, se empurravam, se curtiam. Gravando o vídeo para momentos posteriores, a grande família não-consegui-ouvir estava em festa. A árvore tinha apoio firme para subir e descer, quase uma casa na árvore, mas alguns ainda se penduravam nos galhos fazendo pose. Depois de gravar o vídeo, com direito a drone, eles foram descendo, ajudando uns aos outros. Em sincronia, eles desceram sorrindo e conversando e seguiram para os carros estacionados do outro lado da rodovia. 

Em nenhum momento alguém olhou para mim, falou comigo ou qualquer coisa. Eles chegaram, fizeram o que tinham o que fazer e foram embora. Depois desses minutos observando-os, voltei a contemplar o abismo. Não tinha forças para levantar ou só não queria. Parecia que estava tudo no seu devido lugar.

Finalmente.

quarta-feira, 28 de julho de 2021

O sol já vem.

 

Foto: acervo pessoal

Acredito que essa seja a primeira foto que tirei calmamente aqui no sul. Durante todo o trajeto, eu vi e reli algumas coisas que queria guardar para sempre. Desde coisas engraçadas até coisas que só eu entenderia. Tinha um celular novo que jamais pensei em ter de tão caro, tinha um lugar novo que jamais pensei que um dia pisaria, tinha uma esperança que pensei que seria apenas utopia. 

Hoje, atravessando mais um inverno entre nevascas e ventanias polares, percebo que cada parte da minha vida é como um pedaço de sonho. As imagens vão e voltam, algumas pessoas brotam na mente, as cenas do passado se repassam e me lembram quem eu era, onde eu estava e o que eu queria ser. Engraçado como nossa mente nos projeta para frente e para trás.

Através da janela, naquele dia, senti a luz do sol tentando rasgar o frio que me assolava, o medo me corroía antes da grande chegada. Não sabia se eu seria recebido, eu confiava, mas não sabia. Poderia acontecer tanta coisa. Nunca me senti tão abalado e sozinho durante tanto tempo. Foi um medo devastador. Não era receio por ter que voltar pra casa logo depois de chegar aqui, mas do que aconteceria se isso fosse verdade. Tanta tensão me rodopiava que eu estava colapsando a cada segundo.

O sol me esquenta gostosamente em dias de frio. Foi algo que aprendi aqui. Se está frio, torne-se quente, seja o fogo que te respira a alma. Não tenha medo de querer ser quente, de estar quente, vire um ser fumegante. Okay, não foi isso o que me ensinaram, só me mandaram sentar ao sol. Vamos combinar que depois de tanta euforia, a gente só vai querer o bem de quem nos quer bem. Aconteça o que acontecer. Vamos agasalhar mais um pouco, colocar mais um pedaço de comida no prato, fazer rir só mais um pouquinho para amenizar um dia ruim.

Sempre fui uma criatura da noite, amava o silêncio e a solidão das trevas, o clima ameno, a falta de pressa, as ruas vazias. Hoje, continuo sendo uma criatura da noite, mas também do dia. Vejo as coisas boas sob o sol, as risadas embaixo das árvores que farfalham, os chutes na água que fazem chuvas moderadas, o suor que escorre ao pedalar ladeiras e plantações de macaxeira. Acordar cedo é custoso, porém vale a pena. Ver o sol nascer quase oito da manhã é ritual do querer-bem.

Coisas ruins acontecem, coisas boas também. A única certeza que teremos é que amanhã o sol vem novamente, mais um dia, menos um dia. Outra chance para tentar não cair, outro motivo para se levantar e tentar de novo. Planejamos nossos dias e não nossas noites, porque é nele que vem o trabalho em sua maioria, é nele que está o horário comercial, as aulas das escolas tradicionais, as idas e vindas nas feiras e lojas, é uma vida ligada no poder da radiação solar. A gente acaba acostumando.

Acostumando e esquecendo.

Contudo, não esqueça. É uma oportunidade por vez. Não viva dias seguidos, noites arguidas, sem prazer. Sinta o sol dez minutos por dia, se entregue aos raios, sem pressa, sem fazer outras coisas, só viva para uma pseudofotossíntese. Garanto que quando esquentar o corpo, vai parecer que a carga dentro de si está transbordando pele à fora. Vai pedir água para refrescar ou, se estiver por aqui, mais um tempinho num calorzinho que aquece a alma.

Só vim aqui dizer que estou seguindo o sol, de leste à oeste, um passo por dia, um pouco por vez. Se parecer que desisti, por favor, acredite mais em mim e perceba meu fôlego. A maratona é muito longa e eu não vim até aqui pra desistir agora.


terça-feira, 13 de julho de 2021

Margeando

Photo by @beholdvoid


Amarrar o tênis sempre me causa aflição, fica uma ponta grande e outra pequena. Lembro de deixar de ir à lugares por conta disso. Repetia uma vez ou outra o mesmo movimento, olhava para os pares de cima. Me incomodava ao ponto de me dar aflição. Se você não é como eu, jamais sentirá a emoção avassaladora do que é perder o controle do corpo por algo simples e frágil como amarrar os cadarços. Sei que você vai dizer que é bobagem ou frescura, vocês sempre dizem. No final, ninguém fica do meu lado quando estou em momentos críticos como esse para me deixar confortável ou prestar apoio. Ninguém fica.

É interessante, pra mim, anotar essas coisas na memória, porque quando você é contestado por mim pela atitude adversa, sempre vem um belo e sonoro "veja bem". Sim, aquelas desculpas para dirimir sua culpa em ser uma julgadora-mor sem qualquer tipo de empatia. Você só é escrota porque é escrota, se evadindo pelo já conhecido "é só minha opinião". A vida tem disso. Legal é quando depois do confronto você fica sem graça, dá aquele sorriso amarelo ou já muda de assunto; algumas ficam agressivas, cuidado.

Fiquei pensando sobre isso quando estava margeando a pista. Através de pedaladas ritmadas, observei que fazia tempo que não saia por aí em momentos de estresse pessoal. Antigamente, tipo quase quatro anos atrás, eu saia sem rumo pela cidade, pegava um ônibus e ficava em algum lugar, alheio a tudo, só observando o movimento. Naqueles momentos eu andava quilômetros, esvaziando a mente, observando apenas o movimento. Via as pessoas indo e vindo, conversas alheias, os carros e motos, assistia o mundo sem mim. 

Não era, necessariamente, que eu queria sumir e ver o mundo como se eu não existisse, não é isso. É que, às vezes, eu só queria ser o espectador, sabe? Como se você parasse numa tarde qualquer e ficasse vendo o mar, como se você se sentasse na margem de um lago ou rio e ficasse ouvindo o som da água, sentindo a brisa na pele, vendo o farfalhar da grama. Estar presente na natureza é um ponto muito positivo quando se pensa nas coisas ou quando não se quer pensar em nada.

No meu caso, eu só saia e ficava pelos concretos mesmo. Sentava em banco posicionado entre prédios, às vezes escorava no parapeito do viaduto da avenida e via o mundo correr, as cores dos céus mudavam, as pessoas iam e viam com tantas emoções distintas e isso me dava fôlego para voltar ao meu universo particular e pensar que ninguém sabe da minha história, nem de tudo o que eu queria mostrar. Eu era apenas um ponto, flutuando no universo. Fuligem de um mundo vulcânico. 

Não vou te contar que eu voltava cem por cento, isso não acontecia com frequência, principalmente quando me cobravam onde eu estava, o que eu fazia e porquê. Aquilo ficava pesado quando eu tinha que me explicar. Como explicar algo que não tem explicação? Eu posso narrar tudo o que me acontece, mas por dentro é complicado, são as minhas razões e a vivência é doloridamente difícil de partilhar com quem não passou por algo parecido. 

A margem da rodovia agora convida o pôr-do-sol. É legal ver a cidade daqui. Me lembra tempos outros que eu andava por aí até não sentir mais nada. Hoje eu sinto meu fôlego, respiro pesado nas subidas, alivio nas decidas. O suor quente vai se derretendo feio lava, tentando atravessar os pelos do corpo, o vento gelado tenta me refrescar, mas sou mais quente que isso. O sangue pulsa e rebomba dos pés à cabeça. Na pista não há qualquer  movimento, sem carros, motos ou sequer pessoas. Tudo passa muito rápido, corro atrás do sol como se ele me chamasse para o fim do mundo, as estrelas coçam minhas costas e a lua tenta me agarrar. Tudo aqui fora está parado, mas eu estou à mil. 

As paisagens mudam constantemente, como se fosse um rolo de cenário de hollywood. Eu sou o movimento. Veloz, ritmado, rasgando o mar de oxigênio estagnado. O meu corpo conspira para mais e mais movimento. Margeando a rodovia, nesta ciclovia pagã e vazia, nada mais importa. Eu sou o próprio vulcão e a mente em erupção fervilha a cada passada de marcha, a cada pedalada, sempre atento ao mundo que fica para trás. O corpo quente, lava que derrete tudo escorre e não congela, sol que brilha todos os dias, corpo que não sente mais nada.

Corpo que vive o tempo.

Coração que bebe as cores de ser quem é.
 

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Se passam os dias

Photo by @beholdvoid

As músicas vão passando, o calor se instala, mas o sono não vem. Hoje é mais uma daquelas noites que, mesmo cansado, demorarei a dormir. Pauso o player, me espreguiço, jogo meu corpo para o lado, pego a garrafa do chão, desrosqueio a tampa metálica, um, dois, três, quatro, cinco goles de água. Isso me fará ter um pouco de coragem. Levanto, vou ao computador, posto a garrafa de vinho de uma lado, mouse do outro e cá estamos.
Essa semana foi um pouco diferente, aconteceram algumas coisas que achei que esse ano talvez não o tivesse. Além de uma bicicleta para poder ir e vir em noites quentes, alguns filmes me voltaram ao mérito de querer apenas relaxar. Vi um, ou dois filmes, desses famosos durante os anos 90/00, os que chamo carinhosamente de Sessão da Tarde. E, quem sabe, trago aqui depois algumas breves indicações? 
O que eu queria mesmo, era contar que já se passou um ano desde que comecei a fazer as lives para não me sentir tão sozinho. Graças a pandemia, tudo se tornou extremamente desgastante, seja fazer uma amizade, seja manter uma amizade. Fácil foi acabar com elas, ou deixá-las no limbo do esquecimento. 
Olho para janela e vejo os vizinhos em festa. Eles fazem churrasco todos os domingos, religiosamente. Eles riem muito, conversam muito, às vezes até dançam. Sinto falta desse tipo de possibilidade. Perdi meus amigos por ser aquele que ainda crê que a pandemia pode matar. Os poucos contatos que tinha acabaram por se afastar para não me ouvir falar que o que eles fazem é errado: É errado sair pra transar com várias pessoas diferentes no mesmo dia; é errado passar o final de semana viajando com o namorado para visitar outros amigos; é errado beber no barzinho pop cheio de gente só para aliviar a saúde mental... me tornei o fiscal dos amigos. Aquela pessoa que todo mundo odeia.
No começo da pandemia era apenas pelos stories, e as poucas pessoas que se aventuravam fazer essas coisas eram rechaçadas e "canceladas", agora é tão vulgar que o errado é não fazer o que todo mundo faz. Respiro fundo e balanço a cabeça com um sorriso amarelo, finjo interesse e logo depois volto para minhas paredes. Converso com meus botões, diálogos profundos sobre a grande vastidão da solidão.
O mundo, através da janela, é tão bonito. Os céus desses últimos dias riscam vermelho neon tão gostosamente lindo que dá vontade de sair pedalando até o horizonte, desafiando as planícies mais questionáveis. O frio vem e passa, a moda vem e passa, e as pessoas... essas aí são complicadas.
Existem dois tipos de pessoas nas nossas vidas: as pessoas onda do mar e as pessoas planetas. 
As pessoas onda do mar são aquelas que acontecem na nossa vida por um período, elas podem vir e ir tão rapidamente que talvez você jamais lembre dela pelo resto da sua vida. São colegas de infância, amigos do trabalho, parentes distantes, alguns amores rasos... Já as pessoas planetas, elas somem e aparecem em uma constância significante. Como se orbitassem ao teu redor. O magnetismo delas vão te fazer crescer ou diminuir, vão te marcar de algum modo, elas te puxam para experiências únicas e, até mesmo aquela que você nem se lembre, assim que algo acontecer você estalará direto para ela, como um insight profundo e intenso, igual Plutão, que já foi um planeta.  
Do ano passado pra cá me aconteceram muitas coisas, a maioria repetidamente enfadonha que nem vale a pena citar. Aconteceram algumas pessoas no caminho, conheci histórias novas, desejos novos, sonhos intrigantes. Não sinto falta do antigo normal, as coisas de 2019 pra trás. Sinto falta das possibilidades, de acreditar no universo infinito. Sinto falta dessa essência de crer que tudo ainda vai acontecer.
A maturidade vem dragando cada vez mais, puxando para um buraco perverso onde todas as coisas são imagináveis, mas não possíveis. Daqui da janela os pássaros seguem cuidando do ninho, a família ali festeja como se hoje o mundo fosse acabar. Talvez crescer seja isso, passar a ver o mundo mais sólido, menos etéreo. Sonhar menos e aceitar mais, ter convicções certeiras sobre pouco e parar de querer ser tudo.
Ser infinitamente, possivelmente, apenas tudo. 

terça-feira, 22 de junho de 2021

Inverno nosso de todo ano

 

Photo by @zookomi0124

    Essa semana foi de muita chuva. Uma chuva fria, para um tempo frio. Sim, também muito frio. Aqui quando esfria fica em torno de 0 grau e uns 10 graus. É bastante frio. Daqueles que as juntas doem, onde a cama gela nos pontos que não há calor humano e que o banho é uma tortura e um alívio ao mesmo tempo. Essa baixa temperatura somada ao desânimo persistente de viver no brasil do Boliro me torna inútil para sociedade. Sei que é dramático o suficiente para levar um tapa? Sei. E, às vezes, penso que um tapa bem dado poderia mudar alguns rumos de pensamentos obscuros. Tapas psicológicos, é claro. 

    Acordo, volto a dormir. A água de lavar é gelada, o chão de pisar é gelado, as janelas sempre fechadas. Chove muito lá fora, e quando não chove fica uma névoa traiçoeira que envolve toda a vista num clima londrino, poderia ser facilmente confundido por cenários de Sherlock. Sei que está muito frio lá fora porque as paredes ficam suando e as janelas choram. Chove aqui dentro de uma maneiro meio liquefática. 

    As vestes são muitas depois do banho quente, um banho por dia quando estou apenas existindo. Não há exercício, não há suor. Só as constância de ver a chuva cair, o farfalhar das árvores e a esperança de um dia quente de vez em quando. Olho os pássaros no ninho e fico aflito. Eles se esquentam de um jeito que me dá um aperto no coração. O ventos chacoalham os pombos, o ninho se segura o máximo que pode, a aflição é constante durante as tempestades. 

    Esse é o segundo ninho. O primeiro quebrou-se na tempestade de verão. Não sei se havia ovo ali, sei que os pombos passaram o dia inteiro montando o novo aqui na frente da janela. Não houve luto, só trabalho. A natureza continuava correndo atrás do prejuízo. A natureza tira, a natureza deixa pôr. Pena que o humano não consegue seguir esse fluxo por suas condições humanas. É preciso ter, é preciso fazer.

    A chuva deu uma amenizada, os pombos estão se secando como podem. Fico feliz em saber que estão seguros na medida do que seus instintos permitem. A natureza cuida dos seus, eu acho. Seres humanos cuidam dos seres humanos. Notícias na tv mostram o andar da vacinação, parece que o natal terá uma ceia em família, já vacinados, sem aglomerações. Família. 

    Assim como os pombos da minha janela, que ficam lutando para sobreviver as intempéries da própria natureza, a minha família também se amontoa em ações e reações para promover os confortos da humanidade e os luxos das pessoas do capital. A natureza vai e volta, aqui e ali, mas o mundano permanece forte. Veja a questão de quanto lixo a gente produz por dia. Sem sair de casa, em dia de chuva e frio, apenas existindo, há plástico e papel para ser descartado, seja no mínimo de higiene, seja no mínimo da alimentação. E esse legado vai perdurar por muito tempo no planeta e, talvez, você nem saiba que fui que que pratiquei o consumo disso. Não há cpf num copo plástico, nem afeto. Só uso e instantaneidade. 

    Saí do marasmo de um dia de chuva para a consciência ambiental. É bem assim mesmo. Vou divagando solitariamente e sem pressa, como o escorrer das lágrimas da janela, lentamente e graciosamente se escorregam para um efeito microclimático. Essa é uma parte do inverno daqui. Quando não tem essa chuva toda, a gente até arrisca pegar um sol e fingir fotossíntese. Ficar em cosplay de lavoura é bem gostosinho. Ruim é só respirar porque dói. O frio meio que entra cortando, sabe? Ainda que de máscara, é uma sensação muito estranha. Recomendo para entender, não recomendo praticar.

    Sair na ruas ruas de baixo para caminhar ou correr é terrível. Tem muitos esportistas que segue firme, eu mesmo não tenho coragem. Se eu não tenho essa coragem, imagina ânimo? Tá, eu sei que quando o clima voltar aos 14 graus pra cima, eu voltarei a dançar por aí e querer pedalar a cidade toda. Tá bom, tá bom. É que faz parte do clima frio e chuvoso reclamar do clima frio e chuvoso. Sei lá. Todo mundo reclama. 

    Entra inverno, sai inverno e estaremos aqui. Lembrando sempre que a vida continua e que a natureza dará seu jeito. Isso se o ser humano não destruir tudo, né? Okay, okay. Vou sair dessa imensidão meio cinza, vou te deixar com minha descoberta: H20 meninas sereias. Sim, aquela série americana, eu acho, onde três garotas viram sereias. Descobri durante essa chuva toda. Irônico? Talvez. Tem um ar de sessão da tarde e a dublagem é do tipo B que se esforça. É genial, é para você só ver e aceitar, os diálogos são estranhos e, às vezes, não batem nada com nada. Pronto, para aproveitar tanta água, que tal ver mais um episódio? Ah, eu sou a Cléo, tá?     

      

Sonho de Imersão

  Photo by @HolBolDoTweet Estávamos buscando alguma coisa ou alguém. Ela, Mayra, estava se sentindo desesperada. A angústia começou a tomar ...