quinta-feira, 27 de maio de 2021

Abril Maio

Photo by @akinecoco987

Sim, eu sei que faz um bom tempo que eu ando me prometendo cumprir pequenas metas para poder ter pequenas vitórias, mas enquanto não existe algum componente de ultratecnologia que retire os pensamentos da minha mente e os coloque aqui, pode demorar que a postagem surja. 
São muitas as práticas que me invalidam durante todo do dia. Vai de trabalhos, avaliações, aulas, jogos, conversas, e talvez principalmente esperançar. O termo esperançar aqui será levado como todo o sentido da palavra, desde ter fé no futuro até qualquer coisa que te venha na cabeça porque, convenhamos, quem vai ditar regra em plena pandemia? A quarentena que dura mais de uma ano deveria ser rebatizada, isso sim.
Eu começaria esse texto falando de um livro que atravessamos no clube do livro secreto, o título é Uma Coisa Absolutamente Fantástica, porém não focaria na história em si, apenas no nome caricato da protagonista: April May. Sim, o nome dela é Abril Maio. É sobre isso, e tudo bem. De tantas coisas loucas e assuntos pontuais que conversamos durante todo o livro, algumas coisas ficaram implícitas.
Você até percebeu, talvez até quis comentar, e a exaustão de ser em plena pandemia tenha tirado suas forças, o ritmo mudou e flagrou a desesperança. Assim, terminamos mais um livro e seguimos ao próximo. Acredita que já vamos em quase seis meses de grupo e passamos por algumas modificações internas e externas. Fomos de Serpentário de Felipe Castilho, Sono de Haruki Murakai, Uma Coisa Absolutamente Fantástica do Hank Green, O cémiterio do grandioso Stephen King, Um estranho numa terra estranha do importantíssimo Robert A. Heinlein, A casa Assombrada do famoso John Boyne, com duas da Agatha Christie, sendo o Expresso do Oriente e Não Sobrou Nenhum os títulos, sobrando apenas o Eu sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola da Maya Angelou para fechar esse ciclo.
Alguns títulos entraram, outros saíram, algumas pessoas entraram outras saíram, cá estamos tentando manter um grupo de diálogos durante a pandemia, tentando manter um hábito tão massacrado pelas pessoas e tão idolatrados ao mesmo tempo. "Eu quero ler, eu gosto de ler" é tão dito e repetido quanto as horas imersivas nos aplicativos do teu celular.
Abril Maio foi uma alusão aquilo que é tão absurdo que torna especial: o tempo. Esse que dedicamos às coisas poucas, às milhares de pessoas nas redes sociais, às notícias instantâneas a todo momento, às fofocas boas e ruins das pessoas que conhecemos ou não, às artes ou apresentações ou apenas um programa de televisão, tua série favorita, os filmes que emplacaram o ano da solidão. Apenas o tempo que dedicamos ao acaso, querendo mais tempo e não filtrando o que realmente importa. A vida vai passando e logo mais Junho Julho, Agosto Setembro, Décadas e Décadas. Onde estão os meus botões? 
Os diálogos mais perenes serão os mais lembrados pela memória falha e pouco perspicaz, tudo o que teremos será lembrança. Ler aqui e ali, ler mais um pouco, refletir, conversar, manter, descontruir, construir novamente, escrever. Finalmente escrever. Quem sabe, vendo isso aqui no futuro eu lembre de abril maio, ou só de abril, ou só de você, que ainda estava aqui.  


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