domingo, 10 de maio de 2020

Unhas Cortadas

Arte de @giopota_nsfw



Sincronia.
Esta é a palavra que define uma relação de convívio.
Se você tem sincronia com a(s) pessoa(s) que mora(m) contigo, você poderá perceber uma fluidez nas ações do dia. O estar em sincronia também serve para tal, porém como é um momento oportuno, pode gerar insatisfações quando este mesmo momento acabar.
O convívio quando não acontece esta tal sincronia você já conhece. É uma ordem imperativa que rege e uma desordem de acontecimentos que predomina em insatisfação, distanciamento, discussões, angústia e muita tristeza. 
Pode parecer estranho alguém vos falar que se você vive em sincronia, tudo o que acontece é de fato satisfatório. Sim, é estranho. Mas te digo que não é de pura utopia, muito pelo contrário. Tudo vai pelo diálogo, hábito e construção mútua de um lugar de moradia melhor.
A colaboração de todos os envolvidos é o que determinará na estruturação dessa nova mecânica. Vivi por muito tempo em dessincronia, disfunção familiar e distanciamento até. Tudo porque na minha geração familiar não há o diálogo construtivo, não acontece a empatia, tampouco o acolhimento psicossocial. Em outras palavras, apenas uma família tradicional pós ditadura. 
E, quando finalmente emergi de tudo isso, quando parti para construção da minha própria instituição, percebi, então, que aquilo poderia ser diferente, satisfatório e por muitas vezes real. A minha própria utopia em concretude. Algo que se assemelha ao exemplo Mike Wazowski e James P. Sullivan (o Sulley) ao determinarem os limites de cada um, suas virtudes e vícios e, assim, se completarem finalmente.
Interessante que não nos posicionamos para reflexão se somos nós a peça que emperra o maquinário do convívio. Talvez algumas posições que tomamos, ações que fazemos e palavras que lançamos podem gerar um contínuo desdém familiar. Daí a empatia serve para colar os fragmentos da comunicação violenta. Violência aqui como ausência de harmonia. Sempre haverá alguma forma de acontecer um desentendimento, um diálogo acalorado ou tristeza por ações de outrem, isso também é convivência.
Em comparação do que vivo hoje com o que vivi outrora, os momentos de satisfação são extremamente maiores com as pessoas que decidi conviver com. Até mesmo na ultima experiência desgastante de degrau social delimitado, a sensação de dessincronia não era tão áspera e corrosiva como naquele tempo. 
Por isto tudo, ao varrer as unhas cortadas do chão, me sento na varanda e tomo meu café que me deixaram ali antes de saírem para enfrentar um novo dia. Agradeço por continuar tentando ser uma pessoa melhor, com valores maiores que minha própria existência. Porque a paz traz isso consigo, uma vontade imensa de fazer os outros experimentarem a sensatez de existir minimante imenso.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ultimo suspiro

  Imagem por breezeh ou @briscoepark Navegar pelas redes sociais em tempos de pandemia é um caminho tortuoso. No começo, entre os três prime...