quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Retrospectiva

Arte de Danny Mew

Estamos nos ultimas dias do ano, todo mundo se encontra com aquele famoso espírito natalino e das festividades que só dezembro possui. Começam a ditar os melhores e piores do ano e os da década. É claro que também faço uma retrospectiva e este ano teve muito mais pesar do que o passado. 
Aconteceram poucas e concisas coisas que me levaram de um lado para o outro. Quando paro para pensar e transcrever tudo isso, ligando pensamentos com conceitos de emoções para expressar o que realmente me acontece, aí é que chega o ilustríssimo cansaço. Não necessariamente um cansaço ou fadiga, seria mais um preguiça ativa de começar de novo.
Postando sobre essa sensação de inexistência em um grupo particular, me indicaram ir ao terapeuta, pois essa sensação de inexistência não é saudável e ninguém ali jamais tinha sentido isso. Li e reli os comentários como se eu fosse o problema e não a sensação em si. Me senti tão errado em comentar a sinceridade que acabei apagando o comentário sem me explicar.
Explicar... se prolongar... respiro fundo. Como explicar que essa coisa de sentir que não existe em um grupo para escritores amadores é algo técnico, algo profissional? Ao comentário de cima que dizia "não consigo mais escrever porque só consigo fazer às noites e agora trabalho, sou um vampiro que abandonou a paixão" e o apoio veio e ninguém questionou se ele era ou não um vampiro. Ser o homem-invisível é problemático de doença mental, ser vampiro não. Talvez eu esteja interagindo com paulistas demais e esqueço disso.
Forma poética, esse era o ponto da resposta e eu não estava disposto a explicar e replicar os porquês das coisas, fiz como sempre. Deixei para lá. 
Deixando para lá foi o que me ocorreu esse ano por vezes inteiras: já já eu leio, já já eu faço, já já eu comento, já já eu ligo... e fui deixando. Este ano que se passa eu tenho algumas pequenas conquistas, uma delas é continuar tendo o privilégio de poder escolher, outra é que consegui tentar algumas vezes, e a ultima não muito importante é que eu decidi continuar. 
A parte mais difícil de se fazer uma retrospectiva não é o olhar para o passado e juntar as peças da memória, mas sim esquecer das razões. É como assistir o próprio filme e não julga os personagens. É entender que já passou e pegar o que pode ser mudado e anotar para a próxima temporada. 
Se tivéssemos o poder de voltar no tempo e mudar nossas decisões talvez não estaríamos com metade de nossas vidas como estão. E como isso ainda não é possível, o certo é decidir com clareza, ponderar as consequências e seguir em frente. 
Eu não acredito nessas coisas de apenas no dia 31 para o 01 que as coisas vão mudar. Acredito que o ano novo é todo dia, porque basta uma fração de segundo para mudar tudo. Basta uma ligação para contar que um ente querido próximo morreu, basta um clique para saber que sua promoção aconteceu e vai te dar mais chances de crescer, é numa conversa simples que você é convidado a sair do teu emprego. As coisas só vão acontecendo, ainda que você pare para ler um pouco no teu quarto, beberia=cando um café morno enquanto o mundo lá fora acontece.
Retrospectiva é legal de se fazer, pois um ano é muita coisa para quem se vive todo dia. Em um ano muita gente nasceu, morreu, casou, se separou, terminou os estudos, começou o curso, brigou, fez as pazes, se arrependeu, arriscou mais uma vez... os ciclos não se encerram no final do ano, apenas viramos a página do calendário.
Se você souber que a imensidão que é o tempo e o espaço vai acabar se olhando insignificante, vai se ver como uma formiguinha de açúcar, pequenina, sorrateira, porém forte. E talvez essa seja a lógica da comparação, ver o que é real e nos vincular ao que é bom e ruim. Dessa inexistência literária que me aconteceu, me trouxe muita coisa boa, umas viagens para lugares diferentes, conhecimento sobre leis-política-relações e afins, conheci gente, entendi o sistema, eu vivi uma vida inteiramente nova. E era isso que eu queria que você entendesse, que as nossas sensações são experiencias que podemos avaliar e usar, são instrumentos intrínsecos.
Tem mais um ano novo logo mais, e você vai saber lidar com tudo o que em ti habita? 

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