O espaço entre nós.


A língua conceitua espaço em mais de dez definições.
No contexto físico, no matemático, no dimensional, no galáctico, na figura de linguagem e assim vai. Partir da definição, do conceito, do significado é dar o primeiro passo para começar a entender a coisa em si. Sistematicamente, todas essas definições são encapsuladas em situações do cotidiano que nosso empírico aglutina dia após dia. O que nos resulta numa matéria densa entre verbetes e símbolos, perambulando nos diversos tipos de linguagem. 
A comunicação é o laço que une ao menos duas pontas de inteligência. Não determinando o nível e o tipo de inteligencia, a comunicação prevê habilidade distinta para suprir necessidades básicas de entendimento. Pelo menos um receptor e um emissor, cada qual em uma ponta dessa corda que é comunicar-se. E quando as coisas não ficam claras o suficiente, parece que o fone de ouvido foi cuidadosamente posto no bolso da calça para mais tarde e, ao precisar deste, ao puxá-lo do bolso, decepciona em emaranhados nós.
Nós.
Ao nos comunicar deixamos claro tudo aquilo que queremos: ora explicitamente, ora implicitamente. Ao me despedir, retorno um olho saudosista, ao saudar, um sorriso tímido, nas horas de raiva, uma flexão de sobrancelha. Os atos verbais (ou não) me acabam, me preenchem e voltam a acabar. Falar é ato respiratório.
Respira-se: inspira-se e expira-se. 
Conspiro que nós possamos viajar por aí, conhecendo morros e vales, chapadas com escaladas e lagos com cor só encontrada na mais profunda íris. Olho novamente para as estrelas do meu quarto, vejo os cometas caírem, você está deitado do meu lado, mas ainda não me conta sobre os astros, então ainda não te falo sobre a constelação de Cassiopeia, e mesmo assim nossos nós se apertam. 
Aperta e se expande, o universo.
Dois para frente e meio para trás, como numa valsa ele vai seguindo. Ficamos em nossa própria imensidão. Imaginamos afagos carinhosos e merecidos, avistamos em sonho um contato imediato de terceiro grau e a noite torna-se infinita. Pois só na noite que podemos ver o melhor de nós, os astros.
É difícil mexer depois que nos conectamos. Este espaço é completo por vácuo. Ausente, portanto, de ar. Vácuo ou vazio, como queira chamar, não é intimidador. Depois que você aprende o que ele realmente significa, ficar horas, dias, semanas solto nele, sem qualquer interação, não diminui a alegria que é retornar o contato entre nós. Amarrando-o firme e nadando em imensidão. 
Assim são alguns momentos, cheios de vazio numa esperança ainda que ínfima de se agarrar em uma ponta linguagem e se amarrar nela, apertando os nós entre nós.
Entre linhas.
Mente minha.
Vastidão. 


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