Você me alcança?



Começo do mês é sempre uma grande perspectiva. É a firmação de novas e velhas metas, porque quando algo começa, seja o ano, mês ou dia, será sempre um marco para o início de uma nova atividade. Ou um ciclo. As pessoas costumam deixar a nova dieta para segunda-feira, uma nova série no final de semana, um novo projeto quando virar o mês. E assim vão surgindo novas e velhas afirmações periodicamente estabelecidas. O problema não é tentar e não conseguir, não mesmo. O problema é nem tentar. 
Parece simples, mas é deveras complicado. Porque o começar é instigante, flui bastante. Você quer, almeja, deseja, sonha com... já o desenvolver disso, já é outra história. Como falei outrora, é difícil manter-se motivado. Principalmente quando se tem novas atividades já estabelecidas. E quando é algo que se arrasta em um ciclo de fracassos, aí a coisa pesa como um universo e você apenas opta em abrir mão, mais um vez. Outra vez. Depois eu começo novamente, não seria a primeira vez mesmo.
E se fosse?
Será se esse prazo final fosse ficar implícito lá na mente, no sub campo do inconsciente, será que poderíamos ficar firmes e terminar esse ciclo de forma diferente? Em vez de depois eu começo, usar um mais uma vez firme e forte? Não acredito que um ultimato seja algo bom para incentivo de algo que tende a falhar. No mais, eu desejo apenas uma tentativa progressiva. 
No começo do meu antigo trabalho, eu ia de bicicleta todos os dias. Nos primeiros dias eu não chegava a 60% do caminho pedalando, meu corpo desabava em exaustão, mas eu fincava uma meta física. Em um dia eu parava num árvore e já me falava, amanhã será até a placa, no outro dia eu fazia de tudo pra chegar lá na placa dizendo "amanhã será até a esquina"... e assim foi até eu conseguir chegar em casa montado na bicicleta. A sensação foi sensacional, não só pela euforia de ter conseguido aquela façanha, mas principalmente porque eu estava exausto demais.
Semanas se seguiram e aquela atividade começou a ficar mais fácil de se fazer. Meus músculos acompanharam o ritmo da atividade diária, o tempo ajudava, as músicas que eu escolhia e a vista era um tanto legal de apreciar. 
Sempre que tenho que fazer algo que não consigo ter mais foco ou paciência, me limito a dar mais um pouquinho antes de parar. Só mais um vídeo e eu termino por hoje, só mais cinco minutos e eu paro por enquanto, só mais uma volta e eu descanso. Esse um pouquinho, ou mais um, que na economia chamamos de valor marginal, é o que nos desloca em acensão. É esse mais um tiquinho que nos deixa mais forte, mais firmes em nosso propósito de não estagnar e largar de vez.
Não é fácil. Ninguém diz que é, e quem o diz está mentindo severamente. A palavra esforço já se explica quando você resultar na palavra mérito. Sem esforço não há mérito e tenho dito.
Hoje começa mais um mês, mais um semestre, e já vem um monte de obrigações, deveres e direitos para nos apanhar em tempos de tensões em limiar. Por hoje eu vou fazer só mais uma volta, e você?

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