Adágio Invocador



Ninguém está acima do céu e da terra, ninguém é perfeito, tampouco um exemplo de ética, moral e bons costumes desde o nascimento. Ser uma boa pessoa vai além de valores, costumes e religião, há um somatório além disso com índole, vivência e ambiente. Sim, a verdade não é absoluta e eu não estou aqui para dizer, mandar você fazer algo ou até mesmo deixar de fazer, mas obviamente abrir uma interrogação enorme para que você possa refletir.
Mas por que refletir? Pensar em pleno século XXI? Credo, vim aqui para ler textinho indie e agora estou sendo forçado a isso? Então, talvez você esteja alegre por achar que eu fiz algo especial pra ti, embora pareça verdade, fiz exclusivamente como lembrete para minha pessoa. Desculpe-me.
Bom, então por que refletir, por que pensar? Ora, a filosofia antiga já explicava isso lá bem antes de Cristo. Sim meu caro, a vida segue o fluxo mesmo você gostando ou não de filosofia, matemática, botânica... e assim é todos os dias. O mundo não vai parar porque você gosta ou não de uma coisa, se você faz ou não alguma coisa... isso quer dizer que o mundo é um aglomerado de acontecimentos e não exclusivamente uma aventura mental tua onde tudo se responde conforme teu querer. 
O que isso quer dizer? Bom, a filosofia segue uma lógica, é o conhecimento lógico e racional da realidade, ou seja, todo ser pensante consegue chegar nas discussões baseadas nos mesmo fundamentos.  É o entendimento do mundo, das coisas, é o sentimento de justificação da realidade. É você fazendo uma análise crítica sobre os fundamentos de alguma coisa. Em resumo, entenda como filosofar.
Okay, mas onde você quer chegar?
Filosofe, pense sobre as coisas, sobre os fundamentos, argumentos e situações onde ocorrem. Filosofia não é autoajuda ou um vale-tudo intelectual. Nem tudo pode ser respondido com o mero pensar sobre, pra isso existe a ciência. 
Questionar não é ser chato e ficar querendo saber o porquê das coisas a todo momento, saber como tudo é feito ou pra onde vão os animais quando morrem. Questionar é criar uma investigação na tua curiosidade, buscando a verdade. Não a sua verdade, nem algo autoritário, mas sim algo que contemple a verdade essencial, o que pode te deixar sem uma certeza. Sim, às vezes a verdade sobre algo te deixa sem conseguir definir, conceituar ou entender o que se passa, assim, algo que você achava absoluto, acaba por ficar com várias possibilididades.
Nem toda questão filosófica é relevante, do mesmo modo que nem todos assunto nos interessa. E por isso, deixo aqui meus comentários sobre a conversa sobre o FIG2018.
O Festival de Inverno de Garanhuns - FIG, acontece na cidade de mesmo nome no interior de Pernambuco. Sempre no mês de julho, onde faz mais frio por ser mais alto, daí é um modo dos habitantes e turistas experimentarem música ao vivo de diversos gêneros, de modo gratuito. Se você está lendo isso já te aviso que o evento acabou, mas deve se perpetuar em comentários nada inovadores até sei lá quando. O que aconteceu? Para uns um absurdo e para outros (como eu) nada demais. 
Um cantor, que até então nominaram como Johnny Hooker, em seu show no FIG 2018 comentou algo como "Queremos respeito" e "Jesus é travesti". Eu não sei ao certo como isso foi dito e nem se foi apenas isso mesmo, espero que não. E aqui levanto alguns pontos que conversamos sobre durante uma partida de jogo. 
Ela, inconformada com o desrespeito com a religião e com a sua figura de Jesus, disse que ele (J. Hooker) não pode falar aquelas coisas pois é errado falar de religião daquele modo, mancha a imagem do homossexual, pois se querem respeito, logo devem ser os primeiros a respeitar, e que a família tradicional brasileira que já não vê os homossexuais de uma maneira boa, com aquilo acabarão discriminando mais. Dizer que Jesus é travesti é como cuspir na imagem de Buda. Depois de alguns argumentos questionando aquelas idéias, ela mandou um eu não tenho nada contra os homossexuais, tenho até amigos que são, depois dessa máxima a conversa fora assassinada.
Em nenhum momento eu quero impor a minha ideia como verdade absoluta e fujam dessas pessoas caga-regra que a cada dia surge aí e se auto intitulam influencers. 
Daí vocês podem já querer gritar: mas é a opinião delas, você deve respeitar! 
Eu nenhum momento eu desrespeit(ei/o), apenas argumentei as palavras dela para entender qual era a razão dessa revolta, se religiosa, se opressora/oprimida, queria saber onde mora o inconformismo e não simplesmente a boa vontade dela de repetir coisas que já tem um monte na internet de maneira anônima. O que chamamos de "haters".
Meus argumentos foram ofensivos? Será que foi isso? Fico a pensar.

-Ele não pode falar aquilo, é errado.
-Ele falou onde, no show dele ou por aí? (Situação, uma das coisas que ocorrem aqui a todo tempo é a situação do fato, onde, quando e com quem. Baseando-se nessas três perguntas já é possível entender o contexto)
-No show, lá pra todo mundo ouvir.
-Tá, mas você escolheu ir lá no show. Ele pode falar qualquer coisa. (Partindo da lógica do espetáculo, a arte pode induzir certas questões reflexivas, e toda arte tem o dever de transmitir mensagem ao espectador, seja na literatura, música, teatro, cinema, artes plásticas... Além do que, pode ser apenas uma forma de chamar atenção, seja para visibilidade e/ou representatividade ou mero capital. Ele pode falar qualquer coisa, toda apresentação ao vivo é cheia de possibilidades, é tipo ver a Lady Gaga vomitar, Fernando [de Fernando e Sorocaba] tossir ou espirrar)
-Mancha a imagem do homossexual. (Como se a imagem do homossexual já não fosse pura utopia, homens brancos que se cuidam, todos lindos, malhados e ricos, ou feios, efeminados ao extremos e pobre. Já as mulheres, lindas, cabelo liso platinado, vestido curto mostrando a bunda, saltos e cara de atriz pornô trabalhando, ou então masculinizadas, cabelo militar, gordas e caminhoneiras)
-O homossexual, o negro e a mulher já têm a imagem manchada pelo héteros cis, o que ele fala não vai melhorar nem piorar, só vai chamar a questão pro debate.
-Se querem respeito, devem primeiro respeitar.
-A gente não desrespeita ninguém e ainda assim apanhamos durante toda escola, na rua somos xingados, não podemos andar muito junto, imagina de mãos dadas? Nem um selinho porque tem famílias perto, fora que vários relatos e manchetes sobre pessoas "não-gays" que apanharam ou foram hostilizados por apenas parecerem gays, como se tivesse um padrão gayzista que não deve existir e deve ser eliminado. 
-Ah, mas dizer que Jesus é travestir é como cuspir a imagem e Buda, sei lá.
-Okay, mas cuspir uma imagem, de qualquer religião é crime, e ali é um acontecimento artístico e você escolheu ir, não se encaixa aí. Ele não foi pra igreja católica no meio do culto falar. (As comparações em situações distorcidas me lembra muito uma conversa com minha mãe. Ela machista que pregava que a culpa do estupro é da mulher, até que muito que conversamos, uma vez ela parou para pensar com a seguinte situação: Se não existisse roupa no mundo, se todos fossem nús? A culpa ainda seria dela? Minha mãe parou, pensou, e disse que a mulher deve se reservar com outras mulheres para evitar o estupro. E foi aí que eu falei que o problema não é a mulher, a hora que ela está na rua, a roupa que ela veste, ou a voz que ela tem, mas sim a capacidade do homem de ser perigoso para ela. Foi aí que minha mãe percebeu que o problema ali era exclusivamente do homem)
-Eu não tenho nada contra os homossexuais, tenho até amigo que são.
-Mas? Pode continuar porque sempre que alguém começa com esse discurso tem um "mas" bem grande depois que derruba toda essa afirmação positiva. (E foi aí que eu me vi, mais uma vez, triste pela afirmação de peso. Peso? Sim, quando alguém fala algo assim, parece que é um esforço enorme que ela faz pois esse "até" é bem justificado depois. Eu não tenho nada contra, eu até tenho amigos negros, eu até vejo filme sobre, eu até até até... parece que há uma parede intransponível. Mas isso pode até ser algo pessoal, pode não ter algo a ver, porém pela lógica, alguém que realmente tem amigos homossexuais, não fala essa palavra, não é formal numa conversa casual. Chama apenas de gay, de lésbica, de viado ou sapatão. Quando ela usou homossexual numa chamada com três gays e um deles ser um dos amigos dela, ela segregou na hora. Ela montou uma barreira bem comum, como se usar a palavra homossexual demonstrasse respeito para a causa. Sim, numa conversa formal é tido como respeito e tal, mas no informal, é terrível. O amigo gay não se manifestou, ou melhor o amigo homossexual preferiu não se envolver. Pior que isso é ela ter dito que sabe do sofrimento do gay por ela ter um visual mais masculino. Será mesmo que ela sabe o que é ser chamada de sapatão? De apanhar na escola? De ter os olhares dos familiares estranhos? De perder amizades sem nem saber porquê? De ficarem de cochichos na rua sobre a filha sapatão? Será mesmo que um cabelo curto e uma arte marcial medalhista dá tanto sofrimento? Eu nunca vou saber, mas espero que ela não se importe com isso e tente ver apenas o lado bom das coisas, porque é difícil sobreviver em um ambiente hostil, é violento na escola, na rua e dentro de casa. Você não sabe o que tem de errado, só tem 13 anos, só quer ver desenho e brincar com os colegar de coisas comuns, daí vai perdendo os amigos aos poucos porque os irmãos mais velhos dizem que você é doente e riem de você, os pais mandam seus amigos se afastarem de você por seu uma má influência e a vizinhança já está comentando. Você acaba sozinho, passa os dias vendo tv, na escola só anda comas meninas porque os meninos batem em você, xingam você, destroem seus cadernos, comem seu lanche e você não sabe o que tem de errado. Você pergunta em casa e teu pai grita com você, te bate, tua mãe te leva ao psicólogo, você ouve ela chorar todas as noites, eles se perguntam o que fizeram de errado. Você não sabe o que você tem, o que você é. Espero que ela nunca tenha passado por isso.
Dizer que Jesus é travesti é uma analogia para a vida das travestis. Nenhuma travesti morre. NENHUM(A) TRAVESTI MORRE, TODAS SÃO ASSASSINADAS. TODAS.
Travestis não têm escolaridade porque fogem da escola logo cedo, em casa são espancadas e expulsas de casa, acabam na prostituição para tentar sobreviver, tentar mudar o corpo que já não as cabe e querem parar de ser aquilo que todo mundo odeia, quer tentar estar numa forma carnal aceitável para deixarem ela em paz. Travetis são marginalizadas, uma a mais ou uma menos você nunca vai ouvir sobre, no mais saberá que aquela lá da esquina que você passava, ou sumiu ou foi morta. 

Numa postagem de Túlio Barreto, em 30/07/2018, ele diz assim:

Jesus não pode ser negro;
Jesus não pode ser gay;
Jesus não pode ser trans;
Jesus não pode ser mulher.

Jesus só pode ser homem, branco, hétero, cis. Porque tudo mais "ofende" e diminui" a imagem de Jesus. Porque aqui, ser negro, gay, trans ou mulher, é algo ruim, que Jesus "não merece" ser, mas dizem que não é preconceito não, é questão de respeito (?).
Entenda, Jesus não precisa ter características físicas ou ser personificado com o estereótipo de surfista californiano de olhos azuis, Jesus é uma ideia universal de amor ao próximo e caridade com o semelhante, viveu e morreu por isso. Se você não consegue entender isso, você não entende nada de Jesus, só de religião.

E aqui eu ainda adiciono, nem religião. 

Segue o vídeo caso se interesse JH no FIG20018 e para quem quer saber sobre a Renata Carvalho mencionada no vídeo:Renata Carvalho

[TEXTO NÃO FINALIZADO]


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