Lá no fundo.


O buraco que cavo ainda não me cabe, mas aos poucos conseguirei. Aqui em baixo é confortável, úmido e morno, como em um abraço depois do meio-dia. E ultimamente, tudo o que preciso vem desse vazio que me consome. Aos poucos, sei que lá no fundo essa sensação de angústia passará, junto com o medo e a culpa. Não mais carrego aquela vergonha de existir, porque já não há mais os dedos ossudos que me apontam, nem os suínos risos que dilaceram meu bem estar. Como uma sombra vagante, escorro meu corpo por entre as luzes flamejantes. Não resistindo ao medo de fugir das multidões. Lendo você por entre as paredes, o oceano de pessoas que nos afoga, e eu, sombra. Os dias de chuva estão por acabar, e já o sol reinará com toda pompa, lembre-se de sempre apreciá-lo, porque daqui do fundo, quando eu finalmente ajeitar o meu lugar, nunca mais irei enxergá-lo. E isso não é ruim, pois a escuridão me convida, é parceira e sempre me conforta, me adita em seu leito generoso de puro nada. 

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