A ponte.


Dizem que somos feito ilhas. Grande blocos de terra que possui vida, mas isolados de todo o resto por oceano. Ilhas. Se somos ilha, família é arquipélago. E o intuito de começar a tentar explorar outras ilhas é, justamente, criar vínculos e aglomerar valores à nossa ilha. Assim, a ilha por mais que não cresça e se torne uma potência icônica, ao menos não afundará no próprio oceano. E, assim, te digo novamente, essa coisa de abraçar é o que faz ponte para nossa ilha. Os braços se tornam grandes tentáculos que aproximam as terras dos nossos corações, deixando transporte de mão dupla aos sentimentos. Do mesmo ocorre quando essas pontes são quebradas, queimadas, ou esquecidas pelo tempo. Um exemplo clássico é a ponte ultraviolenta. A ponte ultraviolenta é aquela que é criada forçadamente a partir de eventos esporádicos que firmam certas esperanças e fidelidade. E tem esse nome porque quando ela vem abaixo, é de maneira tão devastadora que leva consigo um pedaço da ilha. 
Eu te falei que eles eram ultraviolento e você me fez prometer que tentaria. E assim o fiz, tentei ser empático e estudei, depois da primeira falha legítima. (A primeira falha legítima foi quando eu não entendia dos atos de convívio social do teu grupo e acabei não contemplando aquela vulgaridade que era se despedir abraçando. Hoje eu entendo que eles fazem isso por mera demonstração de carinho hipócrita, mas na época eu não entendia o motivo real, pois era a segunda ou terceira vez que eu estava ali passando o tempo. Não fazia parte do grupo, e até agora nunca fiz, mas eu deveria saber que ele queria um abraço, porque foi assim em sequencia, mas eu não sabia, não tinha o hábito de fazer essas coisas e, principalmente, com essas pessoas. Nos outros dias, ele que não teve o abraço de despedida passou a me ignorar, e não que seja difícil, mas era propositalmente para humilhar, para que eu soubesse que minha presença em convite não era bem-vinda. Logo que eu entendi, passei a dar desculpas e tentar não forçar nada. Passou) Sempre fora assim, observei que essas pontes que existiam entre si era muito frágil, não se firmava por sentimento, mas por pacto social. Você deve fazer assim porque é assim que eles fazem, não significa que se importam contigo ou que te querem bem. Primeiro sintoma, é um abraço rápido, necessitado de atenção e a primeira pessoa a soltar o corpo do outro é sempre um deles. Sempre um desses que prezam pelo ato, com toda glória afetuosa (uma grande mentira). Segundo sintoma, as falas não se completam com os atos, elas se derretem em pecados ligeiros, o falar-acontecer não é tão simples quanto eles pregam, há uma insegurança presente, ainda que sublime, uma honestidade falsa, uma contravenção amável. Terceiro e ultimo sintoma, o amor. Sim, o alicerce das pontes que juntas as ilhas. O amor que é passado por eles é traiçoeiro. Eles pregam que nunca abandonarão ninguém, ainda que na pior das hipóteses, e basta você não entender uma linguagem e você é excluído, ignorado e símbolo de chacota. No passar do tempo você será só mais um desses tais embustes que eles adoram rir sobre. Deveria ter apostado comigo, foi o que eu disse para si quando eu senti o ultraviolento hoje, foram três rajadas até tudo desmoronar. A primeira na torre do tripé giratório, quando a ponte se acendeu e iria pedir socorro. Mas a iluminação não chegou até a outra ilha, pois ela deixou cair sua ponta de propósito, como se virasse o olhar para os céus, para os lados, para qualquer lugar do que os faróis da outra ilha. Uma virada de costas. Pena que nunca é por acaso, porque a sinalização entre as ilhas irmãs foi detectada, uma singela olhada, levanta a sobrancelha e a mensagem é dada. 
Eu te falei que era tudo não verdadeiro, quando esse tipo de gente diz que tem vontade de ajudar, é só para pregar sua própria imagem de benevolente no grupo de pessoas ao qual se põe um assunto tão delicado em questão. Na verdade, elas não querem essa culpa para si, têm problemas de mais vivendo suas próprias vidas, óbvio que não iriam se importar voluntariamente por alguém que elas desprezam a presença física, imagine emocional. O problema desse tipo de ilha, é que algumas outras desconhecem que terão pontes ultraviolentas e acreditam no discurso de boas pessoas que pregam entre ilhas. 
Metade da minha ilha já ruiu, hoje mais um pouco. Mas tudo bem, uma a mais, uma a menos, não fará diferença neste oceano. 




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