terça-feira, 29 de novembro de 2016

A foto.


 Eu só percebi quando a foto caiu por entre as luzes. Parei por segundos, ouvi o refrão acabando com o mundo, daí vi nós dois. Das poucas recordações físicas que possuo, aquela foto é umas das melhores que há no mundo. Ela é perfeita. As luzes, a felicidade que te abriu os braços, o emaranhado por entre dedos, aquele dia e por acaso hoje. Sabe, talvez ninguém lembre mais daquele dia, mas a gente nunca deve esquecer daquela esquina, não é mesmo? É mesmo. 
 Novembro é um mês intrigante. É o mês em que muita coisa rara acontece, tipo o vermelhidão do crepúsculo, como -também- aquele filme sensacional que nunca fomos ver juntos... melhor nem falar sobre essas coisas, faz tanto tempo que nos perdemos que, nem sei quem nós somos mais. Nem sei quem podemos ser.
 Apanho a foto com cuidado, para não danificá-la, mas não antes de registrar essa sensação casuística saudosística minimalista e centrífuga. Afinal de contas, evoluímos todos os dias, apesar dos pesares, meus pêsames por mais um ano de tormenta e inexistência, é que crescemos e tudo virou um "vamos marcar", e acabamos marcados por essa vontade de ter um retorno no nosso ultimo "como vai?" porque de lá pra cá foi uma derradeira manifestação de vários nadas. Nadas e nadas. Do que vale fazer coisas se no concluir nem temos para quem relembrar? É um emaranhado igual o pisca-pisca era no embrulho, deu trabalho mas ficou bonito. Ficou e ficará assim, pois ninguém mais habita este cômodo. Continua abafado e quente, cozinhando calmamente aquele que cogita o sentido comum de tentar ser alguém que outrora fora conforme dito antes entre linhas e entre amigos, que já não estão nas fotos que guardei, nem nas lembranças que registrei. Amigos que se vão jamais ficarão, pois aqueles que vivem em mim estarão comigo para sempre. 
 Sei lá. Essas coisas de amizades que se duram, que se juram, são bem questionáveis. Como um bom vinho ou até mesmo uma catuaba, que pode ser in natura ou gelada, mas deixam sempre aquele sabor agridoce. 



segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Dizem por aí


 Vi no Skoob que as pessoas mentem muito sobre ter lido certos títulos. Ora, isso é tão óbvio. Claro que as pessoas dirão que já leu isso e aquilo, principalmente se é algo tão conhecido e comentado quando Harry Potter ou 50 Tons de Cinza, acontece muito, mas não exclusivamente da literatura. Eles mentem sobre as bandas famosas, dizem que são fãs e acompanham a carreira do cantor(a)/banda desde sempre, mais no fim das contas só conhecer os singles; do mesmo com os filmes Cult e Blockbusters, tem muita gente que conta filme do Almodovar como se realmente tivesse assistido, mas quando posicionado numa cena que não é tão falada nas redes, a pessoa fica com a cara de paisagem. Acontece sempre, pois faz parte dos círculos sociais essa mania de ter que mentir para não ser excluído, e acabam deixar para lá, nem tentam ler, ouvir ou assistir os tais filmes comentados. Perder tempo com algo que dizer ruim, ou não é de Deus, pra quê? Não é mesmo? Mas, aí é que tá! Como ter a verdadeira reflexão de Gosto/Não Gosto se nunca tentar? Bem, sei que as coisas nem sempre são boas, ou do nosso apetite, mas com certeza não precisam ser dissimuladas. Sendo assim, também deixo aqui a lista da BBC que, em pesquisa, cita os 20 livros mais mentidos que foram lidos. E ainda faço o desafio, tentar ler todos eles, talvez não em sequencia, para dizer se, realmente, é tão difícil não ser mais um mentiroso no mundo.


Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll
1984 - George Orwell
Trilogia O Senhor dos Anéis - J.R.R. Tolkien
Guerra e Paz - Leo Tolstoy
Anna Karenina - Leo Tolstoy
As Aventuras de Sherlock Holmes - Arthur Conan Doyle
O Sol É para Todos - Harper Lee
David Copperfield - Charles Dickens
Crime e Castigo - Fyodor Dostoyevsky
Orgulho e Preconceito - Jane Austen
A Casa Soturna - Charles Dickens
Série Harry Potter - J.K. Rowling
Grandes Esperanças - Charles Dickens
O Diário de Anne Frank - Anne Frank
Oliver Twist - Charles Dickens
Trilogia Cinquenta Tons de Cinza - E.L. James
O Caso dos Dez Negrinhos - Agatha Christie
O Grande Gatsby - F. Scott Fitzgerald
Ardil 22 - Joseph Heller
O Apanhador no Campo de Centeio - J.D. Salinger

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Quando bate aquela saudade.



 E aconteceu de novo.
 É uma droga quando a gente não quer lembrar de alguém e acaba fazendo, assim, tão naturalmente.
 Se eu disser que lembrei só de você eu estarei em exagero, na verdade lembrei de nós dois. Lembrei deles também. De tudo ao nosso redor. Acho que você nem lembra de mim, então não perguntarei se tu lembras do que eu vestia naquele dia, do que comemos naquela noite, ou se comemos. Não quero saber nada disso.
 Não sei nem porquê lembrei disso.
 Já esqueci.
 Eu tenho uma vontade grande de te ligar e perguntar se tu lembras de mim ainda. Lembras?
 Maldita seja essa saudade de coisas tão pequenas. Como se atreve a tirar isso de mim? Eu via aquele programa sozinho antes de você, agora eu só lembro de você comentando o quanto é fútil assisti-lo. E que, muito provavelmente, você ainda seja viciado nele.
 O que será que acontece às pessoas que não vemos mais? Será que elas estão bem? Tipo, agora mesmo, será que aquela raiva passou? Será que a tristeza foi embora? Será que os beijos roubados de um sábado à noite continuam? Vai ver nem existem mais.
 A primeira coisa que muda quando a gente termina é o futuro. Parece que tudo se torna parte prolixa de um amontanhado de memórias. A digital de muitos acontecimentos se projetam, se protegem, se vão e voltam como se nada tivesse acontecido.
 Ao ouvir uma música a gente se arrepia porque uma memória é ativada. Você se arrepia ouvindo o quê?
 Quando o arrepio escorre pelo braço, algum momento nosso também vem? Aquela sensação de prazer ao suspirar fundo ouvindo um clássico ainda conforta as noites ruins? Esquecer o que não importa é tão grande quanto maltratar batatas fritas no potinho de ketchup?
 Ah, aconteceu de novo.
 Sempre nessa parte da música.
 É fácil identificar que isso me traz algo, mas o quê? Ou melhor, quem?
 Fico com uma saudade apertada sem saber o que dizer.
 Melhor nem falar nada, só sentir mesmo.
 Ouvindo aqui, um passado tão meu.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Como é se apaixonar por um escritor?


Difícil falar já que você não sabe se está apaixonada por ele, ou pelo modo apaixonante como ele escreve, pode ser um pouco dos dois. Ou a forma como ele é obcecado pelas palavras e as usa com tanta destreza em cada um de seus textos. Você nunca sabe se em suas escritas ele está caindo de amor ou caindo aos pedaços, mas elas sempre vão tirar o seu fôlego e fazer você pensar em como seria se fosse você a inspiração.
E você se acha maluca porque muitas vezes quando está lendo um dos textos, se pega bufando de ciúme porque sabe que não são para você. Mas sempre depois que termina se derrete e se encanta cada vez mais com a forma que esse ser consegue tocar seu coração sem ao menos te conhecer. Você vai ler e reler cada uma das linhas e ver que sempre tem um pouco do que sabe, vai ver que tem um pouco de tudo o que ele já vivenciou, que ele escreve com a alma tão exposta e radiante quanto o nascer do sol, ele fala de suas fases, de seus momentos e amores, que se assemelham aos seus, aos meus.
Ele vai te mandar um de seus textos para saber sua opinião, vocês mal se conhecem e mesmo assim ele te vai mostrar antes mesmo de ser lançado no blog e depois de ler você não vai conseguir parar de pensar que se fosse a sortuda que ele se inspirou para escrever um texto desses, cairia aos pés dele instantaneamente. Além disso, será que você foi a única que leu em primeira mão? Ele vai te deixar na dúvida, porque todos eles, sem exceção, são imprevisíveis, você nunca sabe o que esperar, eles sempre vão te surpreender.
Mais difícil do que saber se está apaixonada por ele ou pelo que ele escreve, é tentar escrever algo descente para ele, algo que mostre o mínimo do quanto ele é raro ou que chegue aos pés das coisas que ele escreve. Algo que mostre o quanto o talento dele é extraordinário, e o quanto você se sente próxima dele enquanto lê suas palavras, mesmo que não seja. Eles costumam dizer para não se apaixonarem por eles, e fazem um texto listando vários motivos para isso, mas nada que tenha me convencido, e nada que vá te convencer, todas as razões que eles dão para você não se apaixonar por ele, são as mesmas pelas quais eu acabo me apaixonando, você também não vai escapar.
Então é aqui nesse pequeno texto de uma amadora, que deixo a minha homenagem aos escritores loucos e apaixonados, os famosos sonhadores que ainda acreditam no amor verdadeiro, que eternizam momentos e pessoas em cada uma de suas palavras.
É o que dizem, se um escritor se apaixonar por você, você nunca morrerá. Eles são únicos.

(oteoremadaspalavras.com)

Pequenas Grandes Conquistas

A pergunta era simples: Qual a grande conquista que você só conseguiu quando adulto? As pessoas respondiam coisas diferentes umas das o...