sexta-feira, 24 de julho de 2015

Cerúleo


Fragmentadas nos cantos do céu, elas permaneciam brilhantes. Pequenos pontos azuis. Observei sem me preocupar onde eu estava, quem eu era, aonde eu iria. Fiquei ali. Contemplei os céus e a cor que dele brotava. Todo o ambiente se inundava em calmaria que perturbava. Algo dizia que era mais uma vez, talvez a ultima, que as cores do mar iriam invadir meu eu.
Pode parecer um pouco triste, porém a iluminação combinava com tudo. Decorava bem ao se derramar pelas paredes, riscava calculadamente os armários, fazia as letras dos livros boiarem confortavelmente. E a mim... Bem, eu era só um corpo. Enrijecido pela vontade de não ser nada nem ninguém, e era exatamente isso que eu eu ali. Nada além de um ponto azul, em imensidão profunda e azul. 
O gelado chão que aquecia minhas costas foi ficando distante, era hora de seguir em frente. Pouco salutar é o desejo de mudança, mas alguém tem que fazer alguma coisa. Não adianta ficar na zona de uma só verdade e esquecer por um momento que nada existe. Porque tudo continua a acontecer. E eu preciso acontecer. Foi então que, ainda sentado em lótus, abri os olhos e capturei toda a luz para dentro do ego. Pereceu a carne, firmou-se a perspicácia por outra vez.
Não importando quantas vezes mais eu volte aqui, sob a cor da perpétua da certeza, eu estarei livre para lutar por aquilo que ainda não teve vez. A coroa não vai cair, ela será derrubada. Será violentamente jogada ao chão, toda a mediocridade cairá junto, por terra. Rápido e vorpal. O ataque com a inteligência nunca deixa transparecer, meio ironia, meio destino. Ninguém nunca saberá o que aconteceu, apenas verão a ascensão do justo.

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