sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Sei lá.


Eu gosto de você, mas sei lá.
Sei lá porque você sempre vai embora.
Sei lá porque a gente parece que nunca vai dar certo (e sinceramente, talvez nunca dê certo mesmo).
Sei lá porque quando eu chego perto demais você me empurra pra longe.
Sei lá porque às vezes parece que você tem medo de precisar de mim mais do que preciso de você.
Sei lá porque a gente é confusão demais, é briga demais, é gritaria demais.
Sei lá porque você não me passa segurança nenhuma e parece que até o seu vizinho gostoso tem você mais do que eu tenho.
Sei lá porque você não quer me pertencer, quer ser solto, mas quer que eu seja preso a você.
Sei lá porque todas as vezes que eu me declarei pra você, você ficou sem saber o que dizer, não como se estivesse sem palavras ou emocionada, é porque não tinha mesmo o que falar, não tinha nada pra falar pra mim.
Sei lá porque diferente de todo mundo, a gente é melhor separado.
Sei lá porque por mais que sejamos dois apaixonados e coisa e tal, não nascemos pra ficar de nhem nhem nhem eternamente e trocando declarações de amor de tempos em tempos.
Sei lá porque você tem esse teu maldito jeito brusco que afasta todo mundo e parece não ligar pra ninguém.
Sei lá porque às vezes quando a gente conversa eu sinto que sou a última pessoa do mundo que você queria trocar palavras.
Sei lá porque a gente fala demais, afirma demais, mas nunca saímos desse meio caminho que a gente se enfiou sabe-se depois de qual briga.
Sei lá porque não assumimos o que sentimos e de repente parece que nenhum dos dois sente nada.
Sei lá porque você sempre me machuca de um jeito imbecil e nunca percebe porque tem um ego enorme e não admite que comete falhas.
Sei lá porque você é todo complicado, todo cheio de si, todo com manias que eu nunca suportarei, todo você.
Sei lá porque eu gosto de você, eu gosto mesmo de você, e quando eu gosto de alguém que aparentemente também gosta de mim, as coisas tendem a dar errado.
E sei lá porque eu não sei o que vai ser da gente, porque o nosso futuro é tão… sei lá.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Faça amor, não faça jogo.


Ouvi um velhinho dizer: Amei a mesma mulher durante 50 anos.
Pensei no quanto isso era do caralho, até que ele disse: Queria que ela soubesse disso.

Às vezes, as pessoas fazem jogo duro, porque precisam saber se os sentimentos do outro são reais. Pensei no quanto isso era fodido.
Somos apenas caras, somos estúpidos às vezes, muitas vezes. Quantas vezes, quis dizer “EU GOSTO DE VOCÊ” e não disse? Não quero chegar aos 90 anos, morrer e pensar: eu podia ter tentado. Eu costumava ser mais feliz. Hoje tá tudo meio “tanto faz”.
Vejo homens chamando mulheres para saírem, e no último minuto desmarcarem, apenas para serem difíceis, ou tanto faz. O maior crime do homem não é despertar o amor de uma mulher e não amá-la, é fazê-la se depilar à toa. Eu tinha uma paquera, eu mandava mensagem, e ela demorava sempre 4 dias para responder. Imagina se eu fosse aquelas pessoas, que pensam que se demorar mais de 5 minutos para responder já começam a se arrepender de cada letra que escreveu?
Esses dias, depois de sei lá quanto tempo, essa paquera mandou mensagem: “Estou com saudades”. A pessoa diz sentir sua falta, mas não demonstra. Ela espera que você adivinhe com seus super poderes mentais, que ela precisa de você. Eu sabia que qualquer coisa que eu respondesse, teria que esperar 4 dias para a resposta. Então respondi: “Aproveita o gelo que vai me dar e me traz uma coca gelada”.
Se você está cansado de joguinhos, de tanto faz, dessas regras bobas, faça como eu, demita-se.
Sabe, esqueça essa teoria de não dar moral. Se quer ligar, liga. Vai lá, tente a sorte, quebre a cara, arrisque. Sabe, pensar duas vezes é à distância entre os que sonham e os que vivem. Então,viva. Saí fora dessa bolha, felicidade não é mercadoria, não é um remédio que se fabrica, com fórmula errada ainda, de indiferença, cara feia, e nariz empinado. Não tem graça ter essa vida, onde você tem que esconder seus sentimentos por que alguns falam que isso é o seu valor. Muita idiotice.
Limitar-se já é um problema, limitar o sentimento é o pior deles. Perdemos a chance de viver uma história pelo simples fato de não falar. Eu agora, me apaixono por mulheres que, além de gostarem de Pearl Jam, aceleram meu coração. Eu agora, me apaixono por mulheres diretas e honestas. Que não fazem jogos, fazem amor. Quero conquistar uma mulher sendo eu mesmo. Sem estereótipos, sem medo.
Eu agora, passei a ver o mundo de outra maneira.
E não foi ele que mudou, fui eu.

Por: IQUE 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Hoje


Eu posso ter meus defeitos, mas penso assim:
Tudo só dura o tempo necessário que tem que durar, muitas coisas não vai durar para sempre, quase tudo tem seu prazo de validade, e somente o verdadeiro amor que persiste ser para sempre, ultrapassando nossos passos e indo além dos nossos planos e da nossa vida.
O único problema disso tudo é que temos que apostar nas pessoas, nos arriscar, muitas vezes vamos nos magoar, vamos magoar as pessoas, vamos encontrar pessoas que não vale um real, mas vamos encontrar outras que não há valor para defini-las e mesmo assim, o amor verdadeiro vai existir se o coração permitir.
Muitas vezes vamos nos culpar, vamos culpar as outras pessoas, mas temos que seguir a nossa estrada, trabalhando, estudando, correndo atrás dos nossos objetivos, sem enganar ou iludir ninguém, sendo sempre sincero com os nossos planos, sonhos e objetivos de vida porque antes de amar alguém verdadeiramente, é necessário amar nós mesmos e viver um dia após o outro esperando realizar as coisas boas que esperamos para a nossa vida.

Por que?

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?
Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim. 
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.

O tempo.


 Eu tenho saudades de coisas que nunca aconteceram. Alguém já teve a mesma sensação?
 Não sei bem explicar, apenas vem na mente um momento fantasiado de amanhã, o sorriso ao rosto e a calmaria no peito.
 Vai ver é apenas mais um desejo de uma vida tranquila, quando a alma fica em paz, em si. Momentos únicos que salteiam hora e outra, mas apenas uma saudade. Se ela pudesse ser revivida no futuro... Ah, que suspiro bom. 
 O sonho é algo que me alimenta, fui criado assim, com a maneira impossível de acreditar, tenho também missão de instruir, e isto me guia. São atributos de pessoas que atravessaram o tempo, era errada, corpo certo.


Na calçada de Ipanema eu finalmente entendi.


 A sinceridade era algo tão natural que eu não pensava antes de falar.
 Um erro tão vulgar.
 Acreditando que as pessoas vão ouvir e entender o coração aflito.
 Um erro tão vulgar.
 Eu continuo acreditando que fiz o certo, fui eu mesmo, sem pôr nada e tirando muito. Tirando tudo o que poderia incomodar, tudo aquilo que poderia sobrar. Sobrei. O pior não é ser abandonado, ser usado de chacota, o que realmente destrói a alma é a sensação de vazio. Esse vazio que encheu o corpo todo, colocou o sentimento em torpor, deixou livre o pensamento moribundo que tudo não passou de um mero passa-tempo.
 Tempo passou.
 Durante um caminhar com meu eu perpétuo, cheguei a conclusões tão firmes.
 Não se trata das pessoas, o culpado sou eu.
 Eu sou esse ser idiota que cansou de ser deixado de lado com total desprezo, sem nenhuma consideração ou humanidade. Meu sentimento, minha história, todo amor do mundo que eu pudesse oferecer estavam ali, amassados, no chão, descartados como sempre fora.
 Lixo.
 Ninguém se importa de reutilizar ou colocar no devido lugar aquilo que usa por usar. Não faria sentido cuidar de qualquer-coisa. Idiota? Esse cara sou eu!
 Primeiro eu escuto que sou incrível, que sou um cara impossível de imaginar, que sou amado como nunca antes. Segundo eu escuto que não sou ninguém, que não sou alguém que possa partilhar momentos, que não sou suficiente pro mínimo necessário. E sabe quantas vezes eu ouvi isso? Tantas que não uso mais as palavras para demonstrar afeto, são raras e contáveis vezes, e na maioria faço pela satisfação alheia, o coração fica no "..." e segue.
 Não me entenda mal, eu gosto, faço um bocado por onde, sou compreensível tanto que acabo me magoando quase sempre, mas a realidade é algo que entalhou minha vida desde cedo e ser opção na vida das pessoas é algo que me deixa livre por dentro para ser e fazer qualquer coisa.
 O romantismo foi massacrado, não vale mais a pena fazer as coisas bonitinhas, no fim serei rotulado como "aquele imbecil que fazia coisas", e perdoar as pessoas pela própria compreensão também é um artificio que não usarei, porque ninguém está pronto a se colocar no lugar do outro, o umbigo fala mais alto, são sempre "as minhas vontades, o meu futuro, os meus sonhos, a minha carreira..." e isso soa como se você que deseja algo similar, você que também tem uma vida ao crescimento, você não é nada, apenas uma figuração qualquer que faz peso.
 Eu olhei aquelas faixas ziguezagueando para o nada e percebi que eu sou aquela pessoa que todos falam que é ímpar, que nunca estará com alguém porque ninguém é compatível, ou que mesmo outra sobra desigual não será capaz de somar-se a mim.
 Entendo, aceito, vivo.
 O suficiente não é o que falta, mas aquilo que mantem a vida de pé, o desejo no alto, a coragem em frente, e o coração na mão. Isto é ser o suficiente. Ser explorador da realidade, pensar no igual, enfrentar problemas do dia-a-dia como se fosse mais um acaso e não o fim do mundo.
 Entendo que terei uma família de uma pessoa só. Apenas eu. E serei feliz do mesmo jeito, porque eu sei o que eu quero e o que eu não quero. E eu não quero ser o imbecil que queria te ver crescer na vida e tornar a melhor pessoa do mundo, eu quero ser aquele cara foda que arriscou tudo pelo nada e não deixou nada atrapalhar o tudo. Quero ser o cara normal que tem defeitos e manias, com convicções estapafúrdias e temperamento oblíquo, quero ser um alguém que deixa memórias com um suspiro profundo.
 Cansei de rodopiar pela noite ao sabor de almas vazias sedentas por vida, prefiro ficar consigo, ser feliz sozinho. Carregar o conhecimento e a mão que ajuda para qualquer pessoa que saiba agradecer.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Escritos Sobre a Ausência.

Lembrar de algo que nos faz falta é algo inerente ao ser humano. Vejo meus amigos, os amigos dos amigos, os familiares, os estranhos…todos estão sentindo falta de algo, esvaziado de sentido sem os sentidos do outro, de um outro.

Lembrar de você é praticamente me ver oco, esvaziado de porquês. De tão forte que foi a sua presença dentro de mim, refazer meus quereres, me parece impossível. Difícil não coloca-los nos planos. Você ainda faz parte das minhas expectativas.

Reviver uma pessoa, uma lembrança, um ocasião é o pior tormento. Sempre tive medo de doenças como Alzheimer, onde a pessoa perde todo seu HD e fica assim, zumbi por ai. Mas não será uma benção? Que dúvida cruel.

Reviver você é trabalhar com a possibilidade da sua pessoa, ainda. Revivendo refaço meus traços e quero saber aonde errei, e se errei. Se a culpa fosse minha seria mais fácil, mas não é, você é tão egoísta e mandão, que até os motivos que me culparia você roubou para ti. Nem isso eu tenho.

Resistimos diariamente. No trabalho, no ônibus, no Facebook, na boca do outro. Resistimos ao comentário maledicente, à descrença do familiar, da conta bancária, da solidão que nos cobre todas as noites.

Resisto a olhar suas fotos, nossas conversas gravadas em folha A4, o blog que eu fiz para falar de ti. Resisto conversar com as amigas sobre você. Elas esperam sua volta tanto quanto eu. Uma vez te falei: haverá uma festa quando você chegar. Acredite, elas ainda esperam esse momento.

Resisto pensar nisso, é enlouquecedor. Resisto pensar que não voltará, é desesperador. Resisto a você e tento me distrair. Não me sinto feliz. Não existe essa possibilidade hoje. Re-existo. Talvez o terreno baldio em que me encontre tenha lá sua finalidade.

Ir embora, todos foram, vão, irão. Quando morrem e deixam seus pertences/restos/lembranças por ai. Quando desaparecem e esquecem nosso telefone, e-mail, endereço. Quando resolvem nos deletar da vida delas. Grande covardia ser posto de lado, sem o direito de defesa, de ter direito a um tempo de preparo. Sem poder se precaver das dores que virão com a ausência.

Te compreender não ajudou a entender sua partida. Muito pelo contrário aumentou a aflição. Te sei tanto quanto você e sei das suas lágrimas, me doe não estar ao seu lado para não deixa-las cair. Ou para vê-las cair e segurar na sua mão.

‘Acordando e repondo a esperança’ (Carpinejar), e assim permaneço.

Eu queria poder ir embora de mim mesmo, dar as costas as minhas lembranças. Deixar de lado tudo que me falta e me atormenta. Mas não dá, preciso estar aqui para quando você voltar

Anônimo


“Ei, você. É… Eu sei que você ama alguém. Sei que você pensa muito nessa pessoa, e tudo te faz lembrar dela. Sei que quando você olha pro nada, é ela que lhe vem à cabeça. É olhar pra nada e pensar em tudo. Sei que você já prometeu à si mesma que não iria derrubar mais uma gota de lágrima se quer por ela, mas acabou não cumprindo. Eu sei que a voz dessa pessoa te conforta, e o abraço dela é o melhor do mundo. Sei que você ama o cheiro dela, e poderia acordar todos os dias com esse cheiro ao seu lado, te abraçando, com um sorriso dizendo “bom dia”. Sei que muitas músicas poderiam ser a trilha sonora de vocês duas. Desde começo, meio, fim e recomeço - que você quer que aconteça -. Eu sei que você pede conselhos aos seus amigos, mas acaba não seguindo nenhum, porque de algum jeito a pessoa volta, e traz o sentimento todo junto com ela. E você não liga, porque quer viver tudo de novo. Eu sei que toda noite você se despede dessa pessoa em seus pensamentos, já na vontade de dizer “não esquece de aparecer nos meus sonhos!”, e aparece , porque é o que você quer. Sei que essa pessoa é idiota, insensível, complexa, complicada, mas você não se importa, porque é exatamente isso que te faz gostar mais e mais dela. Eu sei que em cada tópico desse texto, você estava com a mesma pessoa na cabeça. E por isso é tão difícil esquecer.”

Para quê serve uma relação?

 

Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela,  para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado.


Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo enquanto você prepara uma omelete,  para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio sem que nenhum dos dois se incomode com isso.

Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada e bonita a seu modo. 

Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa. 


Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem corpo um do outro quando o cobertor cair.
Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro ao médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois.

-Drauzio Varella

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O Manifesto do Silêncio - part. 1


E quando todos partirem, estarei de volta ao normal. Sozinho.


Os papéis tantos que rabisquei ficaram encharcados com água e sal, esta linha que atravessava a trave dos olhos aliviando o peito. As linhas que se formam gritam meu silêncio, falam do meu coração.

Escrevi uma, duas, setenta cartas diferentes para que eu pudesse compreender o que se passava ao meu redor, o que ebulia aqui dentro, o que ribombava na mente. Escrevi, li, corrigi, escrevi. E assim passaram os dias na minha crise existencial. 
Essa crise, geralmente, acontece no momento mais forte da vida de uma pessoa, bem quando ela se sente vulnerável, perdida ou desconsolada. A existência neste momento determina passos futuros, projeções traumáticas e remorso. E o redemoinho que se faz é infinito, levando sempre para as mesmas questões já respondidas e não compreendidas.


Calma.
Tenha calma.


O que geralmente não se responde de dentro para fora, já é sabido de fora para dentro. É nesses momentos que a palavra amiga é tida como apoio irrefutável, o braço estendido no abismo. É de onde vem as explicações variadas, a ladainha repetida, o olhar de compaixão. É posto em prova a paciência, carinho, e afeto. Porém, tem-se dois efeitos: pra quem ouve toda a explicação e presença em apoio,  não faz sentido nada de nada, e pode misturar ainda mais a confusão mental, e para quem fala é algo infinitamente desgastante, pois a ajuda tem que ser insistente para ser satisfatória.

Quando você ouve, você tem que provar que está pronto para ajudar, limitar-se aos problemas alheios dando-os extrema importância, mesmo esses problemas sendo poucos ou diminutos. Cada um sabe exatamente os pesos da própria vontade, do próprio viver. Caberá ao ouvinte estar presente, haja o que houver, a sua missão será suportar os pesos, dos mais pesados aos mais leves, e ajudar na divisão.
Muito embora a ladainha repetitiva torne o diálogo frustrante, alterne com a divagação dos sentidos. Martelar um prego batido não fará efeito, use então de artifício para dispensar, mesmo que por alguns instantes, o conflito íntimo do outro. Ajude ao outro da melhor forma possível, estando apenas presente, organizando ideias, fazendo-o esquecer do mundo, coisas deste tipo.


Se você é o epicentro da tormenta, calma.

Tenha calma.

Vou contar-te um segredo, antigamente, em meados de 2007 para ser hipoteticamente preciso, eu tive uma crise existencial forte, as coisas mais imbecis eram, pra mim, as maiores coisas do mundo. E o engraçado é que eu sabia exatamente o que fazer e como fazer, mas algo me perturbava de uma forma avassaladora. E sabe como eu superei? Ele me ajudou. Ficou comigo quase em todos os momentos, quando eu ficava muito triste e já desistindo do mundo, ele ficava ali do meu lado, apenas olhava com um olhar de um carinho tão grande que eu lia em sua feição "Aconteça o que acontecer, eu sempre estarei aqui." E eu respirava fundo com isso ouvindo um suave, quase firme, "Calma, vai ficar tudo bem". A crise acabou quando o prazo de viver chegou no próximo nível, quando o medo do novo foi obrigado a ter coragem. E assim foi superado. O tempo decantou minhas ideias. 
O interessante é que a crise existencial era justamente pelo crescer, pelas novas obrigações, era como se eu não estivesse preparado para aquilo e rogasse por outra opção. Não há opção na vida além do crescimento ou estagnação. E se eu fosse você optava pelo primeiro.

O agente do caos, ou seja, a pessoa que está em crise, ela não tem noção dos fatos. Ela perde a sensibilidade de pensar em três dimensões. A profundidade das coisas se torna superficial demais, profunda demais, confusa demais. É como estar perdido em uma floresta, e você tem vários caminho diferentes, e de todos os caminhos você ouve o chamado do teu nome. Qual o caminho à seguir? Você saberá quando a chuva cair, abafando assim as vozes do medo. E terá certeza do caminho certo para seu íntimo, e uma vez escolhido terá que enfrentá-lo. É por isso que quando estamos em conflito, é de extrema importância, relevância, e sabedoria o não agir por impulso. NÃO agir eu disse, Não! Pode ser difícil tentar parar o mundo enquanto tudo gira, quando a mente atordoa o sono, quando escapam as lágrimas e ninguém aparece para, no mínimo, perguntar com sinceridade se você está bem. Na verdade, é isso que nos faz perecer, escolher o caminho mais fácil, a gente escolhe desistir. Acredito que isso seja para a autopreservação, ao instintivo que nos fez sobreviver por anos e anos, sem enfrentar as adversidades do mundo externo.

Ser um agente do caos é tarefa difícil de se entender, ao mesmo que muito fácil. O que rege nesses momentos de inexatidão é o estopim para a fuga. Qualquer coisa pode culminar em ásperas palavras, ações vingativas, desprezo múltiplo, ou indiferença potencialmente localizada. O final sempre é o afastamento. Parece que o mundo vai desabar sobre a cabeça a qualquer instante. Mas não tenha medo em pedir auxílio, uma ajuda, um conversar sobre qualquer coisa. A tendência é aspirar-se umbigo a dentro, afastando toda e qualquer pessoa que dê início ao refletir, que mostre a saída.
Se o casulo se formar, não maltrate quem tentar te salvar. 



sábado, 2 de novembro de 2013

Aviso.


 Quem dera fosse verdade essa tal história de amor. Já ouvi tanto esse verbo que hoje é igual ao céu, contemplado às vezes, mas na maioria ele está lá, ignorado. Aqui dói, dói muito. Lágrimas incessantes me fazem soluçar. E isto já era previsto de acontecer a qualquer momento.
 Ontem eu vi um beija-flor. Ele era lindo, todo escuro e vivaz. Lembrei do dia que vi uma felicidade igual, lembrei do dia que conheci um lugar novo, lembrei de uma tarde silenciosa, lembrei de filmes engraçados, lembrei de músicas distintas, lembrei do meu coração. Será que o beijar-flor veio beber do meu coração? Pobre beija-flor, quando viu que aqui estava vazio ele olhou-me estranho, bateu asas no mesmo lugar. Levitou. Buscou aqui e ali pelo potinho com água açucarada. Pousou em meu ombro e piou. 
 Senhor Beija-flor- disse explicando-me-, eu não tenho mais açúcar em mim. O meu amor foi jogado fora.
O passarinho abaixou a cabeça e piou fraco. Bateu asas novamente e fintou-me. A lágrima do passarinho fez meu estômago remexer. Senti que ele queria tentar dizer que eu poderia mudar, que poderia ser diferente, mas ele não sabia que eu vivo na contra-mão.

 Logo o passarinho pousou em grades. Cansado. Peguei-lhe em mãos, ele não reagiu, senti seu fôlego vibrante.
 Chorei.
 A vida que tinha em mãos era como todo o sentimento que me faltava, tudo o que fora pra nunca mais voltar. O ser frágil foi deixado numa árvore próxima onde ele poderia buscar abrigo, um lar. A tarde custou a passar com a mente no beija-flor. Nunca pude acreditar que uma criatura pudesse ver em mim uma esperança de conforto, acredito que nunca sentirei isso novamente, assim é a vida. Ontem eu vi um beija-flor, que me deu alegria em alma moribunda.  



Pequenas Grandes Conquistas

A pergunta era simples: Qual a grande conquista que você só conseguiu quando adulto? As pessoas respondiam coisas diferentes umas das o...