quarta-feira, 20 de março de 2013

Sabido

Não adianta comover multidões com algo que não vem de tua autoria. É desonesto, é covarde, é plágio. Então, de certo vamos nos apegar ao talento nato de cada qual, ou pelo menos algo que te faça parar de copiar outras pessoas.
Eu, escritor emergente de si, atento as palavras e estudioso do universo externo, dou-te uma dica: faça aquilo que gosta. Muitas vezes é nisto que você desenvolverá melhor teu potencial, seja profissional, amador e/ou artístico.
No meu caso, pequeno por sinal, gosto de contar histórias. Às vezes histórias não tão espetaculares, ou que façam sentido natural, histórias e estórias. De acordo com a Teoria do Significado, a palavra deve representar o absoluto sentido a ser captado pelo ouvinte, leitor ou visualizador. Eu me pergunto sempre se eu conto estórias ou histórias, já que uma é verídica e comprovada cientificamente e outra é mero devaneio.
Se se crio um universo perfeito, tal como Tolkien, eu conto uma história ou estória? Qual o universo de comparação já que todos os personagens, lugares, animais e coisas são concretos naquele mundo? A construção daquele mundo é incrível, bem como Nárnia e tantos outros universos paralelos. Para mim são todos eventos verídicos, pois há fundamentação sobre tudo, leis do universo, psicologia, humanização e climas. Todo leitor é um historiador, ele vive junto ao protagonista, aventura-se, ri, chora, sente raiva e pena. Em nossa mente é real, tudo aquilo é real nem que seja por segundos de leitura, às vezes até mais.
Pouco me importa se é verídico ou não, contanto que adicione algo à minha vida, um ensinamento, um conhecimento, um passatempo.
Sou um contador de histórias, cada uma mais vívida que a outra, e todas concretas na imaginação. Pode até não fazer sentido, tal como: se só existiam Adão e Eva, por que o jardim era do Éden?

Medo


 Me pego em posição fetal, no canto da sala, escondido do mundo. "O que você está fazendo vai mudar alguma coisa?" você me perguntou. Respirei fundo e respondi "Não... mas me sinto bem melhor por dentro."
E foi assim naquela madrugada, enterrando meus piores medos no chão da sala, perfurando o piso com minhas lágrimas de desencanto, ora raiva de si, ora puro desabafo. 

 Fecho os olhos sempre que o turvo se faz. Tenho medos bobos nada ocasionais, como o medo de ir em frente, medo de palhaços, medo do escuro, medo de ser feliz. Coisas que ninguém tem, que ninguém se presta a entender ou respeitar. Me tenho como um andarilho em um campo minado, onde ser eu mesmo é saltar entre blocos quebradiços de tolerância, a qualquer momento explodirá em revolta ou comentários maldosos.
 Este sou eu. O ridículo que acredita que de alguma forma mudará o mundo, mesmo este sendo hostil do começo ao fim, sem dar garantia de um tempo bom. Nada dará certo, isso eu sei, mas de todo eu tenho que tentar, é de minha natureza ser teimoso, de agarrar um único elogio e rasgá-lo até o último dia possível de sua efetividade, sou de sorrir pelas alegrias de gente que nem conheço só por ser a alegria um sentimento verdadeiro e contaminante. Sou diminuto em relação aos grandes problemas da vida, mas na minha vida há vários grandes problemas.
 E sabe do que adianta ficar resmungando e choramingando pra tudo e para todos? Nada. Não adianta de nada, só te faz fraco e com sentido de pena. Chorar e sofrer é necessário e até reconfortante, mas na hora certa. Não faça isso de palco para vias fáceis, faça isso no momento mais íntimo, na hora de dormir, no banho, no lavar roupas, no caminho para casa pela ruela vazia. Sofrer nos remete ao refletir, e do refletir vem a mudança, a ação e os resultados. Levante do chão quando for hora, mas enquanto não se sentir preparado, tome o tempo que quiser.
 Na vida não há pressa maior do que a de ser feliz, mas para tal é necessário preparo ou faremos merdas e acabaremos com tudo em pouco tempo. A felicidade em mãos levianas são catalizadas de maneira violenta, então seja brando e perspicaz, viva de forma simples e complacente.
 "Eu sei que você não gosta de falar quando está triste, sei que não gosta da presença das pessoas questionando isso e aquilo, até porque não tem como explicar sentimentos... Olha, ficarei aqui sentado do teu lado, calado, e quando você achar que já está pronto, nós nos levantaremos e seguiremos em frente."

segunda-feira, 18 de março de 2013

I'm late

-Estou atrasado!

Foi assim que acordei. No peito a euforia de ter corrido quilômetros atrás de um repugnante ser, nas pernas a câimbra, nos olhos a visão do real. Os lençóis ao chão como eu esperava, usei-os para subir do buraco que cai outrora, eu suava sem parar.
Espalhei olhos tentando assimilar o que tinha sido aquilo, será que foi verdade? Será apenas um sonho louco? Será que foi uma alucinação acordada? As dúvidas voaram sobre minha cabeça dando razantes pitorescos.
Levantei temendo cair novamente. Pisei com calma no chão frio, seria real ou fingimento? As palmas dos pés fixaram, suspendi o corpo como se fosse saltar, equilibrei-me e apanhei os lençóis. Fui acalmando o corpo e a mente aos poucos, caminhei até o fim da cama apanhando tudo. Arrumei-a e fui pegar meu celular.
Era hora do sol nascer, a madrugada começara a perder força e os primeiros raios do sol ameaçavam as trevas. Não acreditei no estalo que minhas mãos deram, fiquei estático. Meu celular descansava sobre um livro, mas não fora isso que me tremeu as pernas.

-Siga o coelho branco. Sussurrou uma voz aninhada.

No quarto uma turva forma ia-se, não entendi o que era aquilo ou quem. Cocei os olhos em descrença, voltei ao celular. Apitou. Era um email. Tomei-o e vi o conhecido livro, F.U. Coelho, esse era o autor de um dos melhores assuntos que já estudei, no e-mail promocional tinha um título interessante "Não se atrase", deixei o celular do mesmo jeito e fui higienizar-me.
Ao ligar a TV para que eu pudesse ir tomar banho ao som do noticiário, não me tentei a esperar alguma coisa, mas ouvi a matéria aos cortes do banho. Empresários lucram 150% a mais nesta páscoa, mercado crescente precisa de funcionários qualificados, cursos de aperfeiçoamentos potencializam currículo... Não teve nada naquele bloco que deixasse minhas orelhas quietas. E ainda de toalha fui verificar o telejornal, molhado estava, curioso fiquei.
Esta foi a manhã de hoje, depois de um insano sonho onde eu conversava minhas teorias mais ocultas enquanto tomava chá. Não sou de esperar sentido, vivo no impossível, e sendo assim, não posso me atrasar.

sábado, 16 de março de 2013

Te Juro!


 A minha loucura eu recolho, e de amores não morro mais, até porque nem vida eu tenho. Sempre em reflectivo afeto, faço aquilo que acho certo, e caso sou correspondido eu continuo. Passos pequenos, firmes e perspicazes. Tudo para não perder um tempo que guardo para mim e para minha busca pelo tranquilo.
 Eu não falo mais nada, não insisto, não envolvo, não complico. Garanto sempre o bom senso, respeito e consideração, essa é a tríplice do relacionamento, seja ele qual grau o for. Aprenda que não adianta se colocar como prêmio, não para mim, não irá funcionar já que não irei atrás, muito pelo contrário, sou paciente e aguardo a hora certa. 
 Do que adianta nadar tanto se no fim a praia é o local de teu sepulcro? É tão mais fácil ser sincero contigo e consigo, fazendo o desperdício de tempo apenas necessário. E você sabe quando isso se per faz.
 Ria da minha pele, do meu sorriso, das minhas roupas, dos meus amigos e dos locais que amo ir, mas não ria do sentimento que tenho por ti, isso me faz ser pior do que sou, pois sou desses de trocar moedas poucas por notas altas de violência específica. Bato-lhe tão firmemente com meus argumentos que você clamará sangue para liberar a dor de teu orgulho.
 No invisível vou continuar o meu caminho, poderá passar por mim e nunca me notar, mas sei bem que um dia saberá de mim, e quando esse dia chegar, eu estarei com meu semblante desconfiadamente fixo. Não quero mais brincar de tentar, queo apenas tentar na vera, no real, no tangível mundo dos adultos. Ou vai ou não, ou é ou não é, e por assim adianta. 
 Sou inteiro demais para ficar no pé de alguém, não sou meia pessoa, sou inteiro. Dar-te-ei meu melhor se calçares as minhas palavras, mas apenas se estiver disposto a enfrentar o mundo fora da redoma de cristal, e aqui fora, tudo pode acontecer. Possa crer.

Sol Com Baixo Em Sol


 De todas as formas de declaração, a única que existiu fora aquela pré programada. E creio que esta só existiu por conta disto, pagamento anterior e ausência física, mas tudo bem, é da vida. Eu sempre quis aprender a tocar um instrumento e fazer minhas próprias músicas ao sonolento som, nada de muito extravagante, se bem que de simples nunca tive de ter nada. As cordas sempre me chamaram atenção pelo soar sincero de quem as tocam, são emoções reverberadas com precisão.
 Com os pés no chão, eu fico apenas a desejar que um dia eu ouça algo para mim, leia algo que me traga saudade ou uma pintura, rabisco ou arte qualquer. Um poema simples esparramalhado ao chão até cairia bem, porém não posso cobrar nada. Não sou poeta, nem músico, no máximo um teórico do infinito particular. Mesmo sem ter noção de como agir, me vem uns refrões ou salteiam pensamentos conjecturados ao timbre. Ainda com os pés tocando um violão imaginário, pensando em sentimento inexistente e pessoa que nunca virá, ainda com os olhos reunidos aos céus, me pego tentando fazer algo que não tenho a mínima aptidão e ainda com encontro de mãos, com o coração batendo, sussurro teu nome em refrão.
 A melodia é a da noite, com grilos e animais estáticos. O vento faz ponte, os risos acordes e minhas palavras açoitam a realidade. Meu timbre é rígido, perfeito para um gutural alemão, mas meu português é pesado, palavras cortantes como um lobo uivando. Meu fôlego não resulta além de fumaça fria que escoa para fora das gargantas mais frias, da minha garganta arranhada pelo frio da noite. Desisto de compor, desisto de cantar.
 Me resta apenas aqui, para contar mais um fracasso de minha vida. Tentativa de um querer impossível, sobrando apenas dois pés de pé sobre um princípio e duas mãos ansiando pelo calor de outras.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Sou Viciado.



Olha, vou dizer:

Desculpa se eu não tenho esse aspecto saudável que você vê em todo mundo. É que eu sou um viciado. Isso mesmo, sou viciado. Mas calma, eu sou um tipo de doente, desses tantos curáveis se quiser tratamento. Eh, eu tenho que querer me tratar... mas por agora eu não quero, a qualquer hora eu paro com meu vício. Te juro! Paro agora se quiser... apenas não quero.
Tenho os olhos fundos de noites em claro, meu nariz escorre às vezes, fico trêmulo quando muito demoro a voltar ao vício, meu humor muda, meu estômago constipar-se. Este sou eu, tentando controlar o incontrolável vicio nisso que chamam de Tristeza.
Acordo com ressaca, pois embebedo meus travesseiros com uma saudade que transborda as cercas dos olhos. A noite é um infinito espaço que pede teu corpo do meu lado, um abraço que só tu podeis oferecer, meu coração chora a falta de você, ele aperta, ele arranha a garganta, seca a boca só de lembrar de sussurrar nossas imagináveis aventuras em teus rebuliçados ouvidos.
Eu nunca tive nada para te dar, afinal de contas. Nunca te dei flores, bombons, festas, discos, roupas... Dei-te apenas a mim e todos os mundos possíveis que pude criar. Te dei aventuras fantásticas, noites intermináveis, espetáculos de acordar-cortinas, instrumentos feitos pelas minhas mãos, instruções coladas em geladeiras.
Meu nariz sempre volta a escorrer depois de tanto soluçar, é como se todos os meus sentidos tivessem chorando. Minha visão molha, meu olfato molha, minha audição seca. meu paladar seca, meu tato se vai no vácuo que você me atirou. São meus secos e molhados. Ouço um bipe que diz teu nome, me perfura o tímpano a música que tento ignorar na rua, a nossa música, minhas mãos ficam sem controle, perdem tato, meus pés se desdobram em praxe, descaminho sem saber para onde ir, a angústica fluxiona para cima e para baixo, um suco ácido e gelado no estômago querendo uma solução morna e básica que só você saliva.
Acordar depois de ter sonhado contigo é algo surreal, pássaros cantam, crianças bricam, não existe trânsito, o céu é azul e o mundo é belo. Porém, a bipolaridade emocional neste meu caso é interminável, ora te amo, ora te odeio, maldito és meu anjo! E nessa contrução de dias, cada tijolo é uma lembrança futura, uma palavra não dita e muitas músicas sentimentais de momentos só nossos.
Sou viciado. Um dia posso chegar a me tratar, e quem sabe até ser feliz. Minha doença não tem cura, apenas paliativos, são doses de amigos e famílias, de trabalhos e hobbies, de bons filmes e leituras fantasiosas. Medicação diária que pode ajudar no controle desse mal, entretanto o que realmente poderá me curar ainda está em fabricação. Sim, o destino, o karma, a sorte e qualquer provável aceita ao acaso, me trará minha medicação. Me mostrará onde você está, vou te conhecer, vou te consumir, vou te guardar e vou ser feliz.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Vá Dizer!

Tive a certeza que iria voltar, mas mesmo assim eu queria partir.
Cansei de uma vida agregada, de ser nomeclaturado por correspondências erradas, como se precisasse vestir a carapuça de mau. Não trago pedras nas mãos, tenho-nas listras lisas, caleijadas pela amargura, desânimo de trabalhar costurando felicidades em corpos membranosos de pseudos amores. Eu até poderia acreditar, pensar demais, pra no final dar nisso, um repeteco do "feliztreco" num instropescto confuso de si projetado ao primeiro que passou.
Passei.
Não desonre meu nome, você bem o sabe o quanto sofro por não ser aquilo que dizem quem sou. Parece fácil acatar uma figuração de si, deve ser fácil pra caramba para os atores de plantão. Para mim, tormento. Fácil para mim é sorrir do nada, dar bom dia quando acordar, pois eu sinto quando você lê aquela mensagem insana, de frase solta, ou apenas ressequidas palavras, quando você lê, eu leio com o corpo um pensamento bom. Vivo de bons fluidos, da luz, do vento, do teu desejo de sorrir.
Atravesso a rua triste e devagar. Não vejo os outros do lado de lá da rua, formas randômicas de materialismo habitual, para mim eles são "os outros", do mesmo que eu sou para eles. Na mente uma vontade de abraçar, abraçar qualquer pessoa, homem, mulher, criança, pessoa.
Tenho tanta raiva de ouvir histórias tuas sobre mim que no fim me pego vendo o quanto perco em estar sozinho, mesmo sabendo que é opcional, porém a mente deturpa a realidade. Acanho em ver a vaidade em mim, destroço auto-estima por simples desdém, é aparência, é caráter, sou eu ou seria você?
Aceito a condição de mendigar atenção, mas isso é segredo.  E se ousar contar eu direi que é mentira.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Tired

E começo a tomar as rédeas da minha vida, finalmente as tenho em mãos. Agradeço pelo período de decantação própria, mas agora que os sólidos problemas se foram ou estão já caracterizados, agora é hora de partir. Indo para o próximo tanque, o das misturas e tribulações próprias.
Neste tanque, tudo está em movimento. Os planos de agora, os de amanhã, as pessoas ao redor, os personagens do passado e os vindouros, as ambientações catalizadoras de ações e tantos outros modeladores. Aqui é a prática proposital, não há uma possibilidade descartada. É a primavera no fim, tempos de narcisos, e como tal muitas transformações.
Não espero que ninguém entenda minhas palavras, pois estas são como uma música. Hoje você pode canta-lá por um mero acaso, mas amanhã você pode interpretar como se fosse um grito do teu sentimento.
Cansei de ser tão maltratado por você, pisado, cuspido, arranhado, chutado, afogado em prantos próprios de propriedade difusa.
Escrever é um crime que cometo por ainda ser permitido. Antes a vida e morte de um sonhador que atacar vazios alheios. Uma opinião aqui é buscada por você, não houve obrigação, joguete em rede social ou exposição pública. Aqui é meu quarto secreto, a sala precisa, arcabouço de um homem só. Por isso as músicas tranquilas que fazem parar e respirar, fazem pensar na vida, lembra alguém, ou só relaxa. Se fosse algo para agitar antes de usar, não seria eu. Meu mundo, onde tudo tem um motivo subliminar.
Vai ver seja por isso que evito o entendem demasia, para não ser almofariz de mentes pequenas, de espaços vazios além do meu.
Cansei de tanta coisa que deixa inerte as possibilidades, agora mexerei um pouco, talvez entre em autocombustão.
Vou cometer harakiri, e o show ainda nem chegou na metade.

Score

E a cada novo encontro, novas avaliações. O clínico olhar estuda com veemência e conjectura tudo a um padrão funcional, classificatório. As ações são calculadamente efetivas, os diálogos sobrepostos em direção específica, ora  derrubando barreiras de timidez, ora desbravando o subconsciente. Assim o dia transcorre, em um jogo voraz e por fim advêm a pontuação sobre tudo, o resultado final. A tabela é preenchida com pontos em escala de zero a dez. Divididos em três grandes áreas, físicos, sociais e mentais.
Cada atributo subdivide-se em características específicas. Sempre em uma escala variando de zero a dez. Quanto mais próximo do zero, ou propriamente dito, menos hábil e do mesmo acontece no reverso. No mínimo três pontos de total paralelo, no máximo trinta em cada qual, mas nunca noventa. A perfeição não existe, isso é fato, porém há de se completar as faltas com as sobras.

Das habilidades periciais faz-se necessário mais que um mero conversar. A não ser que o tempo sinta inveja e acelere a partida, os conhecimentos serão emanados pouco a pouco, de um comentário, em uma ação, por outrem do passado... As habilidades perícias casuais como cozinhar, dirigir e falar são tão importantes quanto ser furtivo, líder ou apenas mexer em um computador.

São mais pontos que valoram o indivíduo. Seguindo rapidamente para as qualidades e defeitos. A pontuação aqui é um pouco subjetiva pois se agregadas aos supracitados pontos, um defeito torna-se qualidade ou o contrário. É imprescindível obter anotações paralelas para um melhor enquadramento desse específico. Qualidades e defeitos tornam alguém único, ele nunca aprenderá a ser impetuoso em um curso do Senac, mas poderá falar quatro idiomas. Uma coisa é característica arraigada de sua herança genética, traumas, empírico desenvolver, místicos estalos cerebrais, outra é algo que com treino correto você somará ao teu intelecto ou físico.

As observações comportamentais podem gerar positivos ou negativos, sim podem, entretanto não são dignos de estrelas. Um bônus apenas.

A cada novo candidato aos postos desocupados em minha vida, há um certo tipo de formulário, um completar de lista, uma avaliação teórica e outra prática, caso este consiga um resultado satisfatório, ganhará um período probatório para a devida efetivação, caso tenha um ótimo funcionamento.

Talvez eu seja do tipo exigente demais, ou talvez seja problemas de capacitação dos interessados, talvez o mundo mude e tudo seja como você acha que tenha que ser. Enquanto o mundo não muda, continuarei com meus métodos de socialização pessoal, que demonstra eficácia total (diga-se de passagem). Quase um vestibular, ou as provas dos NOM's.
Vale lembrar que uma questão errada anula uma correta.

segunda-feira, 11 de março de 2013

So High


     Eu sabia que você não me deixaria só, mas eu não te vi por muito tempo, não naquele dia, tampouco depois. Mas sentia um formigamento incomum que eu não queria que parasse, por isso e muito mais eu encarei aquele dia como ápice atemporal das minhas próprias convicções, eu fui pura e maciça confusão de mim.
     A comunicabilidade transcorria como numa antes, e isto me dava cada vez mais propriedade personalística, era tudo ou muito mais, nunca um tropeço proposital como contrapeso das circunstâncias modeladoras. Estava seguro num quase arquétipo de si, tanto o é que aventurei a duvidar da sorte irlandesa, trombei os alhures divinos conforme as projeções interpostas, aceitei ver um conhecido que nunca tinha visto. Coisas destinadas a acontecer caso a vontade o faça, pois o karma está cansado de errar.
    O sódio sempre potencializou minha hipófise, tanto quanto o álcool cumulado com comprimidos proibidos. Foram afrodisíacos da minha insanidade. Sim eu era puro torpor. Quem sabe não seja isso a razão de ter tido um dia perfeito? Logo cedo com o filho e logo depois com os amigos ora perto, ora longínquos  Não tomei partido em me preocupar com as possibilidades, era tudo muito turvo para se entender. A pupila já dilatada, os traços oratórios meio divagados e um pouco pastosos, era hora de começar a ceder ao importante.
     Mas o intrigante tinha que acontecer, pois eu estava permitido. Solitário e ao relento você perseguiu-me sinistramente por entre o retilíneo. Não houve suspense maior ali do que minha própria pergunta "Por que agora?", duvidei da vontade do universo e ele acatou o desafio, me entregou alguém cheirosamente atento a tudo aquilo que eu poderia vomitar de informações. Semblantes prepostos ao curioso, ficamos ali por horas conversando, trocando atenções e jogando corporalmente. 
     Pela primeira vez em minha toda vida, eu apenas falei. Falei mais que podia, mais que conhecia e poderia ter acontecido, falei tanto que cheguei a pausar várias vezes para ver se estava tudo bem, mesmo o sono e o cansaço mostrando presente nos bocejo de atenção. Fui uma metralhadora giratória automática de repetição cíclica de grosso calibre. Muito você tentou deixar o clima ameno naquele ambiente, mas o fluxo de ar quente que vinha dos meus pulmões combalidos, armava o mecanismo ideológico para os disparos intermináveis. Era mais uma entrevista do que uma conversa casual. Fui inquisidor de levianidade e tentador de gestos.
     Estudei cada movimento teu com tanto esmero que fico a pensar sobre minhas avaliações, antes-durante-depois, de tudo. Tudo, digo nada. Não houve nada demais. Por mais que sentia o saltar de olhos sempre que eu dava vazão as minhas ideias sem sentido, com vários "abre parenteses" e "esqueci o que falava", Fui sutilmente agressivo e selvagemente delicado. Um paradoxo que, como o próprio, nunca sabe explicar nada que faça sentido óbvio.
    Entre minha vontade implícita e nossos olhares, eram como se teus olhos emanassem duas retas que se transversavam a um feixe de retas paralelas a minha precisão, então racionava entre dois segmentos quaisquer que poderíamos notar de uma delas, ponderando igualdade entre a razão de segmento respectivo correspondente. Foi isso que eu senti e não foi apenas isto que mutilou a saliência, pois o riso do acaso golpeou-te e me fez enveredar pela lascívia.
    Escorri meus dátilos, lambendo teu couro que exalava querer. As fossas de rupturas únicas estudavam teu ser, como braile, eu li massageando a oportunidade. A vontade era de puxar pra perto, mas a decisão não caberia a mim, por isso fiz que nada queria, por mais desejo que houvesse, ou conversas passadas sobre possíveis atos, ali não fora hora, não tive como romper a própria conduta de vulnerabilidade. Não fiz nada além de mordiscar teus lábios com meus cílios de proteção ao turvo.
    No fundo não acredito que aquilo tenha acontecido, foi naturalmente tão bom que duvido que tenha sido vivido por mim, acredito que tenha sido mais uma imersão ou visão do infinito particular. Algo que só existe no meu mundo e que percorre até hoje como uma saudade intrigante. Como poderia alguém maneiro deste jeito atentar para um ser como eu? Nada a oferecer além de seus próprios diminutos pensamentos. Não houve naquela noite uma música sequer, apenas os grilos que rasgavam o silêncio dando um charme a noite que esperançava ser fria ao ponto de doar um abraço, um banco de praça, a noite desabada aos nossos ombros e eu falando sem parar um só momento.
     Esse foi um dia alto, tão alto que do âmbar nem me lembro, apenas lembro do prateado indo buscar a vida em outro local. Fora viver algo salutarmente mais prazeroso que uma noite sem prazer, sem dizer, apenas observar o contradicto mundo das possibilidades. Foi-se uma nota musical de aparência agradável e contextual, mas quem sabe de um timbre medonho não soe novamente?


quinta-feira, 7 de março de 2013

Emergentes



Já não bastou a fase Jackson, tampouco Winehouse, agora tudo e todos que se dizem celebridades, ou até, sub celebridades causam impacto superficial. Sim, super-superficial. Como alguém pode chorar sangue por personagens inatingíveis? Seria fanatismo? Fé? Histeria? Decidam e depois do julgamento me chamem, pois para mim isso é palhaçada. Sou revoltado com esse sistema onde você tem que ser histérico em coletivo para mostra-se importar com os outros, onde foi que você do nada virou fã do cantor que acabara de morrer?
No máximo você ouvia uma música ou outra, daí quando vê todos comentando se torna a maior fã do universo, dizendo que o mundo acabou quando soube da notícia, que ficou sem chão, que chorava copiosamente, que deu chilique, que depois de tudo isso esperou aplausos. Esta última você não diz, não é? Não diz, mas nós sabemos. Sim, sabemos. E pelo menos eu, como representante da geração Internet, essa que teve a épica jornada Harry Potter e tantos outros ótimos livros e sagas, essa geração que aprendeu o que é o sistema evolucionista, onde nossos pais eram severos porém davam o de melhor que podiam para os filhos e nós como filhos vendo eles se aperfeiçoarem, nossos pais da geração Coca-cola viram a guerra, viram os gays e seus protestos, viram a corrupção e gritaram por ela, nossos pais de ontem, somos hoje e agora. Muitos da minha geração já estão na terceira geração, amigos avôs já, minha geração foi batida por uma rápida, por uma pronta, essa tal geração Y ao qual prefiro chamar de geração Wi-fi.

Meus ídolos, a maioria mortos pelo tempo, pelo assédio, pelo destino. Meus ídolos, alguns deixados como herança pelos meus criadores, Rei Elvis, Rei Roberto, Rainha Carmem, Rainha Xuxa, Grande Silvio, Aquele Jakson, a Diva Madonna, Cher, Hebe... Tantos rostos televisivos, audicionários, e até jornalísticos. Grandes escritores, arquitetos e grandes juristas, chargistas que atacavam o governo e sua opressão, os humoristas que sempre estavam ali fazendo-nos esquecer das maltratadões vitais.
São celebridades, uns gente da gente, outros apenas figuras obtusas. Mas se você se diz fã, sabe a hora de chorar pelo ídolo, digo isso porque quando os Mamonas Assassinas morreram eu chorei tanto que parecia que familiares tinham morrido, e olha que eu era muito pequeno, mas eu tinha tanto apreço pelas músicas, pela atitude dos amigos, pelo jeito irreverente. Sinto muito por não ter vivido a época deles com idade avançada, por isso que quando teve show do Kid Abelha aqui na cidade, eu fiz questão de ir. São meus favoritos e eles ficaram a poucos metros de mim, tão real, não eram apenas vídeos ou entrevistas na tv. Eu vi que eles eram de verdade e isso me enlouqueceu. Eu pulava, cantava, gritava. Eu era fã, eu sou fã. E se eles morrerem de logo, eu sentirei, muito embora eu não tenha posteres, roupas, coleções de dvds, tenho contáveis coisas deles e de outros favoritos, mas eu tenho eles na vida, tenho as músicas em cada momento da minha vida, eles são trilha da minha história e isso é ser fã.
Ser escandaloso apenas para aparecer é tão diminuto, tão ridículo que te tornas desesperando por atenção. Quando os artistas morrerem e você for fazer algo significante, mostre o quanto eles mudaram a tua vida, quanto eles te acompanharam, não me conte o que tu tens no armário ou que sem eles você não pode viver. Honre a geração que você faz parte, se é aquele onde as grandes transformações do mundo aconteceram (primeiro negro presidente, primeira mulher presidente, primeiro brasileiro no espaço, descoberta da cura de doenças, casamento gay) em vez de fazer cena, faça jus aos seus princípios e ideias, caso tenha algum. Se você for da nova geração, a da geração "faço porque todos fazem", então compartilhe seu silêncio em vez de vazios comentários e condolências opacas.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Uvas Verdes

Procurei brilho em teus olhos, mas ao invés de sorrir você continuou estático, com a boca cortada por um meio sorriso, apático. Não eram olhos, eram apenas vidros esféricos, e não era pele úmida, era concreto, talvez gesso, ou quem sabe cimento? Mas não era você. Chamei por teu nome umas dezenas de vezes, ora gritando, ora sussurrando, mas de nada adiantou. Não houve saltos circenses, não houve coachar risonho, não houve eloquentes saudações. Houve silêncio, houve verdade.
Não quero aceitar o fato que você se foi, não mesmo. Tenho a sensação que você ainda vive, em algum lugar. Que um dia vai voltar, me fazer sorrir, pedir por comida, roubar minhas frutas. Não quero ver que tudo está em memória, que não vou ter mais tua companhia, na verdade não sei dizer adeus. Esse é meu problema, mesmo sabendo que um dia tudo se vai, vai pra o tempo passado. Pretérito quase perfeito, não tão perfeito por conta dos porquês. Respiro fundo e uma vez ou outra me pego desentranhando as sementes da tua comida favorita, você lembra que brigávamos como crianças húngaras? Pois é. É disso que eu tenho falta. Tenho falta de tudo que tinha você. Um dia quem sabe lembrarei de tudo sorrindo, um dia quem sabe você retorne, um dia quem sabe não chame o teu nome nos momentos difíceis, um dia quem sabe um dia?

sexta-feira, 1 de março de 2013

Tarja Preta

Injeto calmamente em minha boca as cápsulas de sanidade. Onze ao todo. Um ao acordar, dois depois do primeiro gole de café, outro após o fim da refeição, mais um antes do almoço e logo em segunda mais dois, durante a janta mais um e lá pelas nove da noite um outro, e perto de deitar os dois últimos. Esse é o meu dia.
Claro, isso em tempos de crise. São contra alergias, contra asma, contra ansiedade, contra tudo e todos. De básico só os mais fortes, aqueles que tentam me fazer dormir, mesmo eu não querendo, são aqueles que me fazem não delirar, mesmo sendo este meu único refúgio para continuar vivo, são aqueles que me fazem respirar melhor, mesmo eu querendo perder
o fôlego de vez em quando. E assim vai a vida, numa tentativa de controle ao instável, malévolo e apático senso de direção. Algo como uma revolta aceitável, uma elipse congruente.
Encapsulado bom humor, sorrisos, aceitação do mundo terrível.
Muito embora nunca tivesse precisado de tanto para tão pouco, mas assim perecerei por quase noventa dias. Sem poder tomar decisões, participar de grandes movimentos, temendo perder o remoto controle. Acredito que essa fase seja tão boa quanto todas as outras, aquelas as quais me preocupo em nunca esquecer, mesmo tendo a memória fotograficamente corrompida.

Sente Man, tal?

 
Eu já morri tantas vezes que só o respirar considero a presença de Deus. E tudo por conta de deixar levar pelos aspectos humanos de sentimentos, algo em que a tv mostrar que temos que ter para sermos felizes, algo que a psicologia chama de fundamento humano: O ser humano é um ser social. E para tal necessita de outro para não enlouquecer, para haver linguagem, para sobreviver.
Encontro poucos que acreditam no concreto em vez de tentar viver o mundo utópico da geração Wi-fi, vai ver seja por isso que riem de mim pelo meu gosto de receber e enviar cartas, do culto ao belo natural, de saborear os raios de sol e o pálido luar.
Passei a vida em silêncio, mendigando palavras, concordando sempre que possível o meu sacrifício, até para ser humilhado, pois quem mais iria lograr triunfo apresentando a mim como namorado ou amigo? Isso sem rotular algo que não sou, sem vender o produto pela suposta embalagem.
Não tenho vergonha de ser o que sou, quem sou, fazer coisas... e isso não é menosprezar outrem, apenas me conheço e me aceito, tanto que sempre que eu vejo potencial sentimento surgindo eu tento demonstrar o real. Aquilo que eles não conseguem ver ou apenas optam por deixar para lá, porém quando as coisas começam a ficar sérias, quando eu deixo de apenas aceitar e passo a importar, aí não tem como não se magoar, por mínimo que seja, há o apreço até por uma vaia tua.
E depois que eu permitir que você entre no meu mundo, que eu mostre todos os universos, se depois disso você não me amar eu vou morrer. Vou comer as paredes que hoje sangram junto a mim, catedráticas, opacas e frias. Meu medo disso acontecer não permite que eu lembre de rostos, vozes, de peculiaridades. Se você não me ama do jeito que sou, dos meus loucos pensamentos e ações, me sentirei esmagado por um céu que desaba em chuva, será um tiro ao olho nu de borrões. Quero ser de verdade, sem algoritmos imaginários de perfeição, sem a busca de modelos virtuais, aceito você assim, de verdade. Se você não me amar, eu entenderei. Na verdade surpreso fico ao ver o tempo que você desperdiça comigo, pois sabe que só sairá da minha boca se arrancar minha língua.
Será que os mortos conhecem alguma cura para o amor?
Para alguém me querer basta olhar, mas para me amar... Tem que ser alguém muito extraordinário.
Se você não me amar...
Se você...


Pequenas Grandes Conquistas

A pergunta era simples: Qual a grande conquista que você só conseguiu quando adulto? As pessoas respondiam coisas diferentes umas das o...